Manaus | AM
Um dos concursos públicos mais esperados dos últimos 10 anos foi suspenso de forma monocrática pelo conselheiro do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), Ari Moutinho Júnior, nesta quarta-feira (2). O certame da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) estava marcado para ocorrer no domingo (6) em Manaus, Acre, Rio Branco, Porto Velho e municípios do interior do Amazonas. Mais de 100 mil inscritos podem acabar sendo prejudicados financeiramente com a decisão.
De acordo com comandante-geral da PM-AM, coronel Vinícius Almeida, os esclarecimentos necessários serão prestados ao TCE-AM para sanar questionamentos e retomar, o mais breve possível, o cronograma de realização do concurso público.
O conselheiro decidiu acatar o pedido interposto pelo presidente do Movimento de Pessoas com Deficiência do Estado do Amazonas, que aponta supostas falhas no edital do concurso público. Porém, conforme consta no próprio edital, o certamente teve um prazo para impugnação das regras e o mesmo não foi questionado.
Por meio das redes sociais, o vereador Capitão Carpê Andrade (Republicanos) questionou como ficarão aqueles que se programaram, compraram passagens, fizeram reservas de hospedagens, pediram folga de seus empregos em busca de uma vaga no concurso. “Três meses, somente agora encontraram a tal irregularidade, faltando três dias para a prova?”, perguntou o parlamentar.
Ele disse, ainda, que pensa em “quantos corações aflitos por conta de um sonho será adiado injustamente”. Ainda na oportunidade, ele abriu uma enquete para saber quem era contra e quem era a favor da suspensão do certame. Entre os comentários, era possível ver pessoas indignadas e taxando a decisão de Ari Moutinho como “falta de respeito”.
“Que falta de respeito com todos que estão estudando, dando tudo pro concurso. Só agora que eles perceberam os erros? Falta muito bom senso com o próximo. Totalmente revoltada”, desabafou uma internauta. Outro seguidor disparou: “Tanto tempo, né? Aí uma semana antes eles fazem isso. O descaso”.
Outro seguidor do vereador lembrou que muitos inscritos estão viajando e que outros já se encontram nos locais das provas. “Que prejuízo! Pra quem teve que economizar pra poder ir fazer a prova, aí agora fazem isso”, salientou. “Só agora o TCE conseguiu perceber isso? Falta respeito com as pessoas que estão se preparando para o domingo e aqueles que se programaram para virem de outros Estados da Federação”.
Além da representação recebida pelo TCE-AM, de acordo com o conselheiro, foi solicitado à PM-AM que apresentasse justificativas para 11 questionamentos apontados pela Diretoria de Controle Externo de Admissão de Pessoal (Dicape) da Corte de Contas.
Entre as supostas irregularidades apontadas pela Dicape estão: não foi garantia da disponibilização de postos de inscrição com acesso à internet; não indicação da bibliografia usada para formulação das provas; não apresentação de um cronograma com as fases do concurso; número de vagas para futuros oficiais maiores que do que as disponíveis; remuneração para três cargos maiores do que os previstos em lei e ausência de reserva de vagas para pessoas com deficiência.
Um cientista político consultado pelo site O PODER que não quis se identificar, também questionou de forma política a quem interessaria essa decisão do conselheiro Ari Moutinho Júnior. “É uma decisão terrível para o governo, parece troca de favor”, completou.
Suspeição