Mandato do presidente da Câmara de Manaus, David Reis, pode estar na ‘berlinda’

Mandato do presidente da Câmara de Manaus pode estar ameaçado por possível falha na apreciação de veto.
Redação O Poder
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Manaus | AM

O mandato do presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), David Reis (Avante), pode estar na ‘berlinda’. Isto porque, de acordo com levantamento feito pelo vereador Amom Mandel, a ‘inércia’ da presidência da CMM ocasionou em possível erro na apreciação de um veto, resultando em insegurança jurídica, na possível anulação de cerca de quatro meses da atual legislatura e no travamento de todas as pautas discutidas e aprovadas pela Casa Legislativa desde outubro de 2021. O tema foi pauta na sessão desta quarta-feira (9).

Ocorre que um Projeto de Lei (PL) do vereador Willian Alemão (Cidadania) foi aprovado pelo plenário da Casa e encaminhado para o Executivo sancionar ou vetar o projeto. Isso ocorreu em setembro do ano passado, porém, até a manhã desta quarta-feira, quatro meses depois, ainda não havia notícia nem de um veto, nem de uma sanção, ou seja, pode ter havido a sanção tácita. Segundo a Lei Orgânica do Município de Manaus (Lomam), no seu artigo 65, parágrafo 8°, a ‘inércia’ do presidente nesse caso resulta em perda de mandato por não cumprimento de dever.

A possível perda do mandato gerou desconforto entre os parlamentares que se manifestaram sobre o caso. O vereador Marcel Alexandre (sem partido) concordou com o debate instalado na Casa. O líder do prefeito David Almeida (Avante), vereador Marcelo Serafim (PSB), defendeu a prefeitura e disse que não houve omissão por parte do prefeito, o que indica que o erro foi da própria Câmara Municipal. Em seguida, amenizou a situação, no entanto, afastando a possibilidade de cassação do mandato de David Reis.

“O prefeito não promulgar as leis nos prazos previstos, e ainda no caso de sanção tácita, o presidente da Câmara a promulgará e, se este não o fizer no prazo de 48 horas, caberá ao vice-presidente obrigatoriamente fazê-lo, implicando, neste caso, a perda do mandato do presidente da Mesa”, explicou o vereador Amom.

Discussão

Durante a sessão, o vice-presidente da Casa, Wallace Oliveira (Pros), acionou a Procuradoria e a Diretoria Legislativa. A discussão dos argumentos de Amom gerou confusão entre todos os vereadores e durou mais de 60 minutos. Os parlamentares foram informados que o veto do prefeito teria sido feito no prazo estipulado, porém, por algum motivo ainda não definido, não houve a leitura do veto pelo presidente da Casa, ou pelo vice-presidente, o que viola o que determina a lei.

“O Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL) informa que esse veto chegou no dia de hoje, ou seja, muito depois do prazo determinado pela lei. Isso é grave e precisa ser apurado com toda seriedade existente. Tudo que foi discutido, votado e aprovado por essa Casa, de outubro pra cá, inclusive o Plano Plurianual, reajustes de servidores e afins, passa a não ter validade nesse caso, pois a pauta estaria travada. Ou seja, será que por causa da desorganização da presidência, perdemos meses de trabalho e o nosso tempo?”, questionou Amom.

Após uma intensa discussão e com o horário regimental atingido, os vereadores decidiram voltar ao assunto na próxima segunda-feira (14). Enquanto isso, a Diretoria Legislativa da Câmara irá tentar encontrar o “caminho” que o PL percorreu, ou não.

PL

O PL de Willian Alemão cria o Brechó da Construção. Na prática, autoriza o recolhimento de sobras de construção, demolição e reforma de prédios, estabelecimentos comerciais e residenciais, cujos proprietários manifestem o desejo de doar para atendimento às famílias de baixa renda, devidamente cadastradas pelo Poder Público e/ou às instituições religiosas e entidades filantrópicas devidamente reconhecidas. O PL foi aprovado em setembro de 2021 pelo plenário da CMM e encaminhado para o que Executivo Municipal.

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