Deputados do AM em Brasília se manifestam sobre PL que trata do registro de agrotóxicos

Deputados do Amazonas em Brasília se posicionam sobre projeto de lei que altera regras de registro de agrotóxicos no Brasil.
Redação O Poder
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Manaus | AM

A maioria da bancada amazonense na Câmara dos Deputados votou favorável ao Projeto de Lei (PL) n. 6299/2002 que altera regras de registro de agrotóxicos no Brasil. A proposta, em outras palavras, fixa um prazo para a obtenção de registro de agrotóxicos no Brasil, prevê a legalização da produção de agrotóxicos genéricos no País, e também flexibiliza os critérios de controle e de autorização destas substâncias. A votação ocorreu, em Brasília, na semana passada.

Entre os deputados federais que votaram a favor do PL estão: Bosco Saraiva (Solidariedade), Delegado Pablo (PSL), Sidney Leite (PSD), Silas Câmara (Republicanos) e Átila Lins (PP). O único parlamentar que votou contra a proposta foi José Ricardo (PT), com o argumento de que o Projeto de Lei favorece apenas o setor empresarial do agronegócio.

De acordo com o deputado federal Sidney Leite, quem critica o PL, critica também o avanço do agronegócio no Brasil, bem como pesquisas e desenvolvimento no setor de produção de agrotóxicos.

“A mentira que foi falada é que era um Projeto de Lei que iria matar as pessoas. Qual a diferença de um veneno para um medicamento? É a dose. E se no Brasil é isso que falam, então como é que o Brasil consegue vender para mais de 270 países produtos do agronegócios seja frutas, verduras, proteínas ou derivados? O Brasil vende frango e carne para a maioria dos países”, argumentou.

“Quem também critica isso, critica o investimento na pesquisa para que a gente possa avançar. Tenho certeza que as autoridades sanitárias não permitiriam isso, e é incontestável o avanço do agronegócio, não só do ponto de vista de acesso a alimentação ao povo brasileiro como a economia. O agronegócio de peso, inclusive, é a favor do controle de preservação do meio ambiente e no nosso eEstado, nós não usamos nem calcário no solo”.

Afronta

Já o deputado federal José Ricardo vê a proposta como uma afronta a saúde da população. Segundo ele, o PL favorece somente os empresários do setor agronegócio. “Esse Projeto de Lei, chamado Pacote do Veneno, amplia o uso de agrotóxicos na produção de alimentos, por que flexibiliza e aumenta a possibilidade de utilizar determinados agrotóxicos que estão proibidos e, claro, favorece o setor do agronegócio, o interesse é do setor ruralista, só que cria um grande impacto ambiental”, ressaltou.

“A gente sabe que mais veneno é jogado na natureza e também na produção de alimentos, e isso significa vários problemas, inclusive de saúde. Nós precisamos incentivar a alimentação saudável, precisamos diminuir os venenos, os agrotóxicos. Votei contra esse projeto. Votei a favorável a vida. Nós temos que aumentar a produção de alimentos, mas de alimentos saudáveis”, concluiu ele.

A reportagem do site O PODER entrou em contato com outros deputados federais que votaram ‘sim’ ao PL, no entanto, não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Já os parlamentares Marcelo Ramos (PSD) e capitão Alberto Neto (Republicanos) não votaram.

Votação 

Depois de 20 anos de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou o texto final do Projeto de Lei n. 6299/2002, na semana passada, por 301 votos a 150 e duas abstenções. Devido às mudanças aprovadas pelos deputados, o PL volta àquela Casa para nova votação.

Caso a proposta seja carimbada por senadores, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) terão apenas a responsabilidade de avaliar possíveis riscos dos produtos.

Na prática, a análise ambiental e de saúde ficariam a cargo da Agricultura, assim como a decisão final. O projeto foi aprovado na forma do substitutivo do relator, deputado Luiz Nishimori (PL-PR). Pelo texto, o prazo máximo para o registro varia de 30 dias (para pesquisa, por exemplo) a dois anos (produto novo ou matéria-prima nova).

 

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