Corecon-AM emite nota sobre o modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus (ZFM)

Conselho Regional de Economia do Amazonas emite nota sobre riscos no modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus após redução do IPI.
Redação O Poder
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Manaus – AM| O Conselho Regional de Economia do Amazonas – (Corecon-AM), considera que o modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus (ZFM) está correndo riscos com a perda de competitividade de produtos fabricados no Polo Industrial de Manaus (PIM), além de impactar as receitas de estados e municípios, bem como consequente perda de postos de trabalho e investimentos, reflexo do Decreto n° 10.979, publicado numa edição extra do Diário Oficial da União, no dia 25 de fevereiro de 2022.

De acordo com a publicação, o decreto reduz em 18,5% o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis de passageiros e em 25% a alíquota de IPI incidente sobre os demais produtos, exclusive tabaco e seus sucedâneos manufaturados.e8779071 fe3d 4fc4 8739 e661023f0ade

O presidente do Corecon-AM, Marcus Evangelista, explica que o IPI é um dos impostos “carro-chefes” da cesta de incentivos da ZFM. “Quem produz nela tem isenção total do imposto. Esta diferença para com o resto do país torna a economia local competitiva. O decreto reduziu de forma acentuada esta diferença, o que tende a levar a extinção do modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus”, disse.

Em nota, o conselho aponta: “Cumpre destacar que todas as medidas do governo, que visam o impulsionamento do crescimento industrial e a redução da carga tributária do Brasil, são louváveis e importantes para o desenvolvimento e para a retomada da atividade econômica da nação, especialmente num momento de pós-pandemia. Contudo, a decisão do Ministério da Economia se revela na contramão das estratégias macroeconômicas de desenvolvimento para a região Norte, estratégia essa alicerçada na teoria econômica consagrada de Polos de Crescimento e Desenvolvimento do economista francês, François Perroux. A teoria dos polos foi elaborada para servir como instrumento de planejamento do desenvolvimento socioeconômico num modelo de economia desequilibrada, como é o caso brasileiro. Ou seja, quando os envolvidos nas relações econômicas não participam de maneira igual e em situação concorrencial no mercado. Fato este perfeitamente verificado para o caso do PIM.

Segundo essa teoria, o crescimento não surge em toda a parte ao mesmo tempo, mas sim em pontos ou polos específicos, e espalha-se em efeito propulsor por toda região ao redor, funcionando como um campo sustentado por forças motrizes. Por meio de análises, pode-se evidenciar que a implantação do PIM contribui de forma determinante para o desenvolvimento econômico e social da região e a manutenção da preservação de aproximadamente 96% da floresta amazônica.
Reduzir os incentivos fiscais torna o PIM menos competitivo e menos atrativo para novos investimentos, visto que esvai as vantagens comparativas que é o epicentro diferencial impulsionador do Modelo, abrindo as portas para que empresas tendam a encerrar suas atividades no PIM.

O Conselho Regional de Economia do Amazonas acredita que o diálogo, neste momento, seja o melhor caminho para que possa ser apresentada a real importância da ZFM e a representatividade desta para a região e para o Brasil. É condição sine qua non que haja um completo entendimento da importância da manutenção das vantagens comparativas do PIM, vis-à-vis o equilíbrio de custos de produção em função da onerosa logística, fruto do nosso natural isolamento geográfico. A manutenção deste Decreto da forma como está posto gera enorme insegurança jurídica, colocando em xeque o exitoso modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus”.

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