Em meio a tragédia provocada pela chuva no litoral norte de São Paulo, que resultou na morte de 48 pessoas e deixou pelo menos 2,5 mil pessoas desabrigadas, o deputado federal e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá (RJ), lucrou cerca de R$ 1 milhão com o Carnaval do Rio de Janeiro. O parlamentar organizou um camarote exclusivo no sambódromo da Marquês do Sapuraí, e o local acabou virando ‘point’ de encontro de políticos.
De acordo com o site Metrópoes, o valor é do balanço feito até o momento, com ainda algumas despesas a serem pagas, e que não contabiliza o desfile das campeãs, no próximo sábado (25), quando poderá vender mais ingressos.
“Camarote é um bom negócio. Não é a toa que todo mundo faz; que tem empresários que fazem os grandes camarotes. Eu diminuí o lucro, porque dei muitos convites para a favela. Mas, no balanço, deu lucro, sim. Camarote é um negócio. É é uma parte das coisas que eu faço pra viver”, disse o deputado federal ao Metrópoles.
O ponto, chamado de ‘Camarote Favela’, foi criado em 2020 e é realizado por uma empresa comandada por Quaquá e sua esposa, Gabriela Lopes, segundo a reportagem do site. O político garante que parte dos ingressos (300, de um total de mil por dia) são distribuídos ao público. Para a população em geral, contudo, o preço continua salgado: o valor varia entre R$ 1.500 e R$ 2.500.
Este ano, no entanto, o camarote não abriu vendas de ingresso para o público, mas somente para empresas, empresários, políticos e personalidades ‘selecionadas’. “Não é uma coisa para ter lucro absurdo. A gente modula para ter um lucro razoável e oferece para o pessoal da favela a participação”, afirmou o deputado.
Tragédia em SP
No último fim de semana (18 e 19), as fortes chuvas consideradas históricas atingiram o litoral norte paulista, causou deslizamento de terra, enchentes e deixou um rastro de destruição e mortes. Ao todo, o número de óbitos confirmados chegou a 48, sendo 47 na cidade de São Sebastião e um em Ubatuba, de acordo com informações da Defesa Civil.
De acordo com balanço atualizado pelo governo de São Paulo na manhã dessa quarta-feira (22), 26 corpos já foram identificados e liberados para o sepultamento. Entre as vítimas, estão 10 homens, nove mulheres e sete crianças. A Defesa Civil estima que hajam, pelo menos, outros 38 pessoas desaparecidas. Além disso, há mais de 2,5 mil pessoas desabrigadas.