MANAUS | AM
Nesta quarta-feira (5), vence o prazo dado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) a produtores rurais e pecuaristas do Sul amazonense para que “se regularizem, corrijam, prestem esclarecimentos ou apresentassem documentos comprovando a legalidade da propriedade rural e da área de pastagem dos animais, sob pena de crime de desobediência”.
A ameaça é de confisco por parte do órgão vinculado ao governo Lula, de cerca de 500 mil cabeças de gado que estão em uma área nos municípios de Canutama, Apuí, Humaitá, Lábrea e Manicoré. Por conta da temerosidade e das ameaças que vêm sofrendo produtores da região, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, intercedeu junto ao governador Wilson Lima (União Brasil), nesta segunda-feira (3), em uma reunião que ocorreu na sede do Governo do Amazonas.
Conversa entre Wilson e Padilha
Nesta terça-feira (4), Wilson Lima falou dos encaminhamentos a respeito da situação na região Sul do Estado. O governador do Amazonas informou que conversa com o ministro da Secretaria das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT-SP).
“Eu tenho conversado nos últimos dois dias com o Ministro Alexandre Padilha, fazendo um apelo para que haja um caminho de entendimento ali no Sul do Amazonas. A gente tem questões econômicas e questões sociais envolvidas, o governo do estado não defende a questão da ilegalidade e precisa ser combatida, mas é preciso separar o joio do trigo. É preciso entender o cidadão que ‘tá’ aí defendendo o sustento da sua família e o estado do Amazonas também tem necessidade de produzir e ninguém quer fazer nada ilegal”, disse o mandatário.
O governador informou que já iniciou estudos sobre a situação. Wilson defende que se faça um zoneamento econômico ecológico, dividindo áreas com o objetivo de evitar ilegalidades e conflitos.
“Por que é importante um zoneamento econômico ecológico? Por que ele define o percentual de área a ser explorada, que você pode plantar ou pode colocar o seu gado, define qual o potencial econômico daquela região, separa o que é área federal, o que é área estadual, o que é área de proteção permanente, o que é área de desenvolvimento sustentável, enfim, promove essa definição e isso é uma marco importante e, principalmente para aquele povo daquela região ali do Sul”, afirma o governador.
Para Wilson Lima, o prazo dado pelo Ibama é curto e improvável que se consiga o cumprimento. O governador defende que haja um planejamento e principalmente entendimento entre o governo federal petista e as partes que podem ser afetadas.
“Não tem como eles estarem só numa área porque a gente ‘tá’ falando de algo em torno de 500 mil cabeças de gado, então logisticamente para fazer o manejo desse animal, não acontece assim com tanta facilidade, em 5 dias, você precisa de um planejamento para fazer isso. Eu não sei qual que é o planejamento, mas me parece que não há estrutura disponível para poder fazer isso e, cinco dias, eu acho muito improvável que isso possa acontecer. O que eu defendo é que haja um entendimento entre Ibama, estado do Amazonas e os produtores lá, os pecuaristas, associação, as fundações, enfim, pra gente encontrar um caminho de entendimento”, conclui Wilson Lima.
Preocupação chegou na Aleam
O assunto chegou também a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta última terça-feira (28), quando o deputado Cabo Maciel (PL) foi o primeiro a se pronunciar na tribuna e solicitar ao Ibama um prazo maior para pecuaristas retirarem e regularizarem sua situação.
“A gente viveu por muito tempo com a extração de madeira e a outra fonte Econômica muito forte naquela região é a pecuária. Recentemente o Ibama esteve na região que abrange ali, Manicoré, Apuí, Humaitá, Lábrea e Matupi, e deram para os produtores, os pecuaristas, cinco dias para tirar o gado das terras que, segundo eles, não têm legalidade. Eu vejo Santo Antônio do Matupi com uma produção de média de 85 mil cabeças, que para chegar em Manaus, senhor presidente, é uma logística gigante”, disse o parlamentar.
Apelo ao Ibama
Cabo Maciel manifestou preocupação ainda quanto à população da região, que segundo o parlamentar, só quer produzir.
“Eu quero pedir aqui ao Ibama que possa reavaliar esse prazo de 5 dias, ninguém tem estrutura para tirar o gado de um local e tentar arrumar outro local para colocar em 5 dias. Essa população já vem sendo prejudicada ao longo do tempo e eu quero aqui dizer que parte dessas pessoas predicadas, é pelo fato do próprio governo federal, do próprio governo do estado, muita das vezes não tomar para si essa discussão, de procurar legalizar. Eu quero pedir aqui ao superintendente do Ibama, da direção do Ibama em Brasília, que possa reavaliar essa determinação de 5 dias, esse prazo de 5 dias para os pecuaristas da região tirar um número volumoso de gado e tentar arrumar uma outra propriedade para que ele possa produzir carne”, disse o deputado.
Produtor denuncia suposto abuso
Em um vídeo publicado no ultimo dia 31 de março em Porto Velho (RO), Dário do Agronegócio, um produtor rural conhecido na região do Sul do estado do Amazonas e em Rondônia, afirma que operações ocorrem antes do prazo e que houve a apreensão de 2,4 mil cabeças de gado.
“Boa tarde Rondônia, boa tarde Brasil, é com uma tristeza imensa no coração que eu, Dario do Agronegócio, produtor rural do Sul do Amazonas, venho comunicar as autoridades do Brasil, que hoje, lá no Santo Antônio do Matupi, distrito de Manicoré, o Ibama está juntamente com a Polícia Federal, com a Polícia Rodoviária Federal, numa fazenda para confiscar 2.400 cabeças de gado”, afirma o produtor.
O site O PODER entrou em contato com o Ibama em Brasília pedindo esclarecimentos a respeito da denúncia do produtor rural, às 10h16, desta terça-feira, porém até a publicação desta reportagem não houve retorno do órgão.