PAÍS
O ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira, se manifestou sobre a divulgação de vídeos que resultaram na queda do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Gonçalves Dias. O material, divulgado nesta quarta-feira (19) pela CNN, mostra o militar interagindo com invasores que participaram dos atos de 8 de janeiro, em Brasília.
Ao comentar o episódio, via Twitter nesta quinta-feira (20), Nogueira afirma que “a verdade sobre o que realmente aconteceu nas entranhas do poder vai finalmente começar a vir à tona”.
“O fosso de tudo que quiseram que o Brasil não soubesse vai ser destampado. Tic Tac Tic Tac. Mas a realidade é uma só: se um presidente não pode governar o palácio em que despacha, poderá governar um país? Claro que não. Então, é óbvio que se não houve cuidado para evitar a invasão foi algo deliberado e o governo é o responsável pelo que governa. E mais ninguém”, escreveu o ex-ministro.
Como ex-chefe da Casa Civil, posso assegurar que em hipótese alguma a segurança da sede da presidência da República é “detalhe”. Ainda mais para um governo que assume. O coração do governo é o lugar para onde todas as atenções e cuidados são concentrados.
— Ciro Nogueira (@ciro_nogueira) April 20, 2023
Ciro Nogueira afirma ainda que vê como “desculpa esfarrapada” as explicações dadas pelo governo federal sobre as ações da equipe de segurança que resultaram na invasão do Palácio do Planalto.
“Culpam tudo e todos. Inventam conspirações sem provas. Como ex-chefe da Casa Civil, posso assegurar que em hipótese alguma a segurança da sede da presidência da República é ‘detalhe’. Ainda mais para um governo que assume. O coração do governo é o lugar para onde todas as atenções e cuidados são concentrados“, concluiu Ciro Nogueira.
CPMI
Foi convocada para o próximo dia 26 uma sessão do Congresso Nacional. Nela, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), deve ler o relatório de abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investigará os atos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Parlamentares da oposição reuniram assinaturas necessárias para a instalação da CPMI e defendem investigações. Na contramão, a base governista já conseguiu, por três vezes, adiar a sessão.
Após o último adiamento, na terça-feira (18), deputados antes contrários à CPMI começaram a assinar o requerimento. A mudança, por sua vez, pode ser reflexo da divulgação das imagens veiculadas nesta quarta, que mostram a atuação do agora ex-ministro-chefe do GSI, Gonçalves Dias, no 8 de janeiro.
Os deputados que não tinham assinado ainda o nosso requerimento de CPMI do 8 de janeiro agora estão assinando. O jogo virou! Governo Lula não conseguirá conter o parlamento.
Parabéns, dep. Rafael Simoes! pic.twitter.com/T3rXAXDgJx
— André Fernandes (@andrefernm) April 19, 2023
Foto: Adriano Machado/Reuters