PAÍS
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, desembarcou em Brasília, neste domingo (28), acompanhado da primeira-dama Cilia Flores. Ele cumpre agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na segunda-feira (29) no Palácio do Planalto e terça-feira (30) com presidentes dos países da América do Sul
Lula programou a reunião com os presidentes, na terça-feira, com os 12 países da Unasul (União das Nações Sul-americanas), criada em 2008, que reúne: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela e tem como principal objetivo fomentar a integração entre os seus países-membros.
Será o 1º encontro com todo o grupo desde 2014, quando houve a última reunião da Unasul (União das Nações Sul-americanas) com todas as nações do bloco. Dina Boluarte, do Peru, não participará, por causa de impedimentos constitucionais.
Na reunião Lula vai propor aos demais chefes de Estado a criação de um novo mecanismo de coordenação com a participação de todas as nações do continente sul-americano.
A pauta do encontro é retomar um espaço de deliberação conjunta para a integração regional, a despeito das divergências políticas entre os governos.
Maduro pousou na Base Aérea de Brasília e foi recepcionado pela embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, e pelo embaixador da Venezuela no Brasil, Manuel Vicente Vadell Aquino.
O retorno
Maduro estava proibido de entrar no país pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao romper com o país vizinho. O decreto de 2019 impedia a entrada de integrantes da administração de Maduro em território nacional.
Em dezembro de 2022, o ex-presidente Bolsonaro revogou o decreto para permitir que o chefe venezuelano participasse da posse de Lula, o que acabou não acontecendo.
Desde que assumiu a presidência, Lula retomou os laços diplomáticos com a Venezuela. Em janeiro, o governo reabriu a embaixada do Brasil em Caracas, capital da Venezuela. O assessor especial da presidência para assuntos internacionais, o ex-chanceler Celso Amorim, visitou a cidade em março e se reuniu com Maduro.
Também teve encontros com integrantes da oposição. Na época, disse ter visto um “clima de incentivo à democracia”. A visita não foi informada previamente pelo Itamaraty e nem pelo Palácio do Planalto.
A continência do Brasil
Em sua chegada em Brasília, além da recepção dos dos embaixadores, militares da Força Aérea Brasileira (FAB) apareceram batendo continência ao ditador da Venezuela.
O registro da guarda de honra da FAB recepcionando Maduro gerou uma onda de críticas, nas redes sociais, sobretudo no Twitter. O assunto “Venezuela” chegou aos trending topics da rede social.
“Já estão acostumados a bater continência para bandido”, tuitou um internauta. “Militares melancias prestando honras a Maduro”, escreveu outro.
“Que vexame as nossas Forças Armadas se prestarem a esse papel”, queixou-se uma pessoa.

Base de Oposição
Nas redes sociais dos políticos da base de oposição, criticaram na ação do governo federal e geraram comentários pelo momento da visita que complica a imagem do país.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) descreveu que o Brasil passa por um retrocesso.
“Maduro chegar ao Brasil. Esse é o maior símbolo do governo. O retrocesso, a ode ao totalitarismo e o desprezo pelas vítimas do regime venezuelano. Tudo pelo projeto do poder. Ampliando relações com países nada fazem de benefício ao Brasil, apenas fortalecem a ditadura”, publicou.
O discurso é endossado pelo senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), em publicação no Twitter, que denominou a atitude de Lula como “outro sinal negativo” do governo brasileiro com a comunidade internacional.
“O Brasil voltou a receber com honras de Estado ditadores sul-americanos, desta vez Maduro. Outro sinal negativo para a comunidade internacional pelo Governo Lula. Será cobrado do ditador o restabelecimento da democracia e dos direitos humanos na Venezuela?”, escreveu Moro.
O convidado de Lula
Maduro é procurado pela Interpol, tem recompensa oferecida de U$ 15 milhões, pelos Estados Unidos, a quem ajudar a capturar o presidente da Venezuela.
A Venezuela integra a lista norte-americana dos países que apoiam o terrorismo. Fazem parte do rol a Coreia do Norte, o Irã, o Sudão e a Síria.
O líder chavista, políticos e militares da cúpula de seu governo foram acusados pelo Procurador-Geral dos Estados Unidos, William Barr, dos crimes de narcotráfico e terrorismo internacionais e de corrupção.
O valor de US$ 10 milhões também foi anunciado pela ajuda na prisão do presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, pelo ministro da Indústria, Tareck El Aissami, pelo ex-diretor de Inteligência, Hugo Carvajal, e pelo general Clíver Alcalá.
Durante a coletiva de imprensa organizada nos Estados Unidos, o procurador mostrou uma tela onde estava escrito “Corrupto Regime Venezuelano” e apresentou fotos de autoridades chavistas, entre elas o ministro de Interior e Justiça, Nestor Reverol.
As armas da Venezuela
De acordo com Barr, nos últimos anos a Venezuela enviou aos EUA entre 200 e 250 toneladas de cocaína.
“A intenção de Maduro era inundar os EUA com drogas. Ele usou a cocaína como arma”, afirmou Barr.
A rota da droga saia da Colômbia rumo à Venezuela, de onde seria enviada para a América Central e de lá para os EUA. Alguns carregamentos de drogas também teriam como destino países no Caribe.
De acordo com a autoridade americana, existe uma parceria “narcoterrorista” consolidada nas últimas décadas entre a Venezuela e integrantes das antigas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Com essa união, o grupo colombiano -transformado em partido político em 2017, mas que ainda tem dissidentes dedicados ao crime, passava carregamentos de cocaína pela fronteira com a Venezuela.
Em troca do apoio, as Farc enviavam armas e outros suprimentos para incentivar o terrorismo no país comandado por Nicolás Maduro desde 2013.
Método Maduro
Para conseguir ampliar a rede do tráfico, segundo o procurador norte-americano, Maduro corrompeu as autoridades do país.
“Informamos que o governo da Venezuela está infectado de corrupção, em todas as áreas de governo”, afirmou.
No ranking do Índice de Percepção de Corrupção, divulgado pela ONG Transparência Internacional, a Venezuela ocupa o posto 166 de uma lista de 176 países.
Neste negócio, segundo o norte-americano, as Farc ganhavam a cobertura da Venezuela para promover a produção de cocaína. Após chegar ao território venezuelano, a droga era enviada em navios e aviões para os EUA.
A acusação ainda afirma que a expansão desta rota internacional do tráfico de drogas teria começado em 1999, ano da chegada ao poder do ex-presidente Hugo Chávez.
A cúpula do cartel dos Sóis
Eles seriam parte do chamado Cartel de los Soles (Cartel dos Sóis), em referência ao emblema do sol usado nos uniformes dos oficiais de alta patente no país.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz declarou que Nicolás Maduro era o “líder do cartel dos sóis”.
De acordo com as acusações feitas pelas autoridades dos Estados Unidos, militares venezuelanos de alta patente também estariam envolvidos nos crimes de narcotráfico internacional.
Com a formação de cartéis, a cúpula do chavismo é acusada de “usar poder político e militar em detrimento da população da Venezuela”, explicou o norte-americano.
Ex-seguidor de Hugo Chávez, Diosdado Cabello, um militar reconhecido como o segundo homem forte do chavismo e presidente da Assembleia Constituinte, é acusado de ser um dos principais aliados de Nicolás Maduro no Cartel dos Sóis. Ele teria ajudado a enviar foguetes às Farc.
“Ele pode viajar para fora da Venezuela. O Departamento de Estado oferece uma recompensa de U$15 milhões pela prisão de Nicolás Maduro”, declarou o procurador americano.
A sentença mínima para o presidente venezuelano é de 50 anos e a máxima, prisão perpétua.
Os “diplomáticos” traficantes
Em novembro de 2015, dois sobrinhos da primeira-dama Cília Flores foram presos ao tentar transportar 800 quilos de cocaína para os EUA. Efraín Antonio Campos Flores e Francisco Flores de Freitas foram pegos pela Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos no Haiti, e detidos por tráfico internacional de drogas
No momento da prisão, eles portavam passaportes diplomáticos. Os dois foram condenados e cumprem pena de 18 anos de prisão nos Estados Unidos.
O chefe venezuelano e a primeira-dama Cília Flores não comentam o caso dos sobrinhos.
Foto Internet
Com informações O Antagonista, Revista Oeste e Terra Brasil Notícias