Apuração do jornal O Globo diz que Zanin já tem maioria dos votos para entrar no STF

Zanin, indicado de Lula, deve conquistar maioria no Senado para chegar ao STF.
Redação O Poder
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Zanin passará por uma sabatina pelos senadores na próxima quarta-feira (21) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a votação no plenário também ocorrerá no mesmo dia. A votação será secreta e Zanin precisará conquistar a maioria absoluta do plenário, o que significa pelo menos 41 votos, metade do total de senadores em exercício, para ser aprovado.

De acordo com apuração realizada pelo GLOBO, 31 senadores não responderam ou preferiram não declarar seu voto, enquanto apenas oito se mostraram contrários.

No dia da votação, é esperada pelo menos uma abstenção do senador Marcos Pontes (PL-SP), que estará de licença médica para realizar uma cirurgia agendada. Ele está entre os indecisos.

A maioria a favor do indicado de Lula foi formada com o apoio unânime da bancada do PT (8 votos) e com um alto número de votos em bancadas com as quais ele se reuniu, como MDB, que recebeu nove apoios, com exceção de Fernando Dueire (PE) que não se manifestou, e o PSD, com 11 votos. Na oposição, os senadores Carlos Portinho (PL-RJ), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Plínio Valério (PSDB-AM) e dois membros do PP, incluindo o ex-ministro Ciro Nogueira (PI), declararam voto em Zanin. O PSB (3), PDT (2), União Brasil (2) e Rede (1) também contribuíram.

 

Estratégico

Ao longo da semana, Zanin se reuniu com cerca de 70 senadores em visitas a gabinetes, almoços e jantares. Nesse périplo, ele conseguiu avançar no apoio para sua aprovação com evangélicos e oposição, incluindo um aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para seu partido liberar a bancada. Ele também conquistou o apoio unânime das bancadas de PSD e MDB.

As andanças provocaram uma mudança de discurso entre os parlamentares da oposição. Senadores bolsonaristas, como Damares Alves (Republicanos-DF), passaram a rever seus posicionamentos sobre o advogado, que foi o responsável pela anulação das condenações de Lula na Lava-Jato.

“A aceitação é à pessoa dele. Ele é sereno, ele causa muito boa impressão. Ele será aprovado pelo Senado. O governo tem maioria dos votos e eu lhe garanto que vou orar muito por ele para que seja um juiz movido por um coração sempre voltado à Justiça” disse a senadora ao GLOBO.

Damares se reuniu com Zanin na última quarta-feira e esteve com o advogado num almoço organizado pela bancada evangélica na Assembleia de Deus de Madureira, em Brasília. Apesar da declaração de apoio, Damares segue entre os indecisos e diz que mantém seu entendimento sobre o princípio da impessoalidade.

O PL, partido de Bolsonaro, abriu o caminho para que cada um dos 12 senadores da sua bancada votar de acordo com sua vontade, após uma sinalização do ex-presidente.

 

Bastidores da oposição na corrida por vaga no STF

Nos bastidores, a adoção de um discurso pró-Zanin por parte de bolsonaristas é vista como uma estratégia para tentar melhorar a relação do grupo político com o STF, esgarçada pelos sucessivos ataques feitos pelo ex-presidente à Corte.

Por isso, embora publicamente haja manifestações de bolsonaristas contra a escolha de Lula, a expectativa no entorno de Zanin é que ele angarie apoio expressivo mesmo nesta ala do Senado, interessada em restabelecer “pontes” com a Corte.

Nas conversas com partidos de oposição, Zanin chegou a tratar de temas polêmicos, como o marco temporal das terras indígenas. Na Corte, Zanin participará do julgamento sobre o assunto, uma vez que seu antecessor, Ricardo Lewandowski, não votou.

 

Veja como ficou a apuração do jornal pelos que disseram que dirão ‘sim’

Base governista

  1. Jaques Wagner (PT-BA)
  2. Jayme Campos (União-MT)
  3. Jorge Kajuru (PSB-GO)
  4. Jussara Lima (PSD-PI)
  5. Laércio (PP-SE)
  6. Lucas Barreto (PSD-AP)
  7. Marcelo Castro (MDB-PI)
  8. Margareth Buzetti (PSD-MT)
  9. Mecias De Jesus (Republicanos-RR)
  10. Omar Aziz (PSD-AM)
  11. Otto Alencar (PSD-BA)
  12. Paulo Paim (PT-RS)
  13. Plínio Valerio (PSDB-AM)
  14. Randolfe (Sem partido-AP)
  15. Renan Calheiros (MDB-AL)
  16. Rogério Carvalho (PT-SE)
  17. Sergio Petecão (PSD-AC)
  18. Teresa Leitão (PT-PE)
  19. Vanderlan Cardoso (PSD-GO)
  20. Veneziano Vital Do Rego (MDB-PB)
  21. Weverton (PDT-MA)
  22. Zenaide Maia (PSD-RN)

 

Oposição:

  1. Alan Rick (União-AC)
  2. Alessandro Vieira (PSDB-SE)
  3. Damares Alves (Republicanos-DF)
  4. Dorinha (União-TO)
  5. Eduardo Gomes (PL-TO)
  6. Efraim Filho (União-PB)
  7. Esperidião Amin (PP-SC)
  8. Fernando Dueire (MDB-PE)
  9. Flávio Arns (PSB-PR)
  10. Flavio Bolsonaro (PL-RJ)
  11. Hiran (PP-RR)
  12. Irajá (PSD-TO)
  13. Izalci Lucas (PSDB-DF)
  14. Jaime Bagattoli (PL-RO)
  15. Jorge Seif (PL-SC)
  16. Leila Barros (PDT-DF)
  17. Mara Gabrilli (PSD-SP)
  18. Marcos Pontes (PL-SP)
  19. Marcos Rogério (PL-RO)
  20. Nelsinho Trad Filho (PSD-MS)
  21. Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
  22. Rodrigo Cunha (Podemos-AL)
  23. Rogerio Marinho (PL-RN)
  24. Romário (PL-RJ)
  25. Soraya Thronicke (União-MS)
  26. Styvenson Valentim (PODEMOS-RN)
  27. Tereza Cristina (PP-MS)
  28. Wellington Fagundes (PL-MT)
  29. Wilder Morais (PL-GO)
  30. Zequinha Marinho (PODEMOS-PA)

 

Da redação do site O Poder, com informações de O Globo

Foto: Reproudação/ Instagram

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