O presidente Lula não deu muita importância às duras críticas feitas pelo jornal francês Libération, que o rotulou como uma “decepção” e um “falso amigo do Ocidente”. As declarações em resposta ao jornal foram feitas durante uma coletiva de imprensa convocada pelo planalto no sábado, dia 24.
Lula afirmou que entende as críticas em relação ao posicionamento do Brasil sobre a guerra na Ucrânia. “Eles estão no centro da guerra e eu estou a 14 mil quilômetros de distância. Então é muito normal que eles estejam muito mais nervosos.”
Ele afirmou que o Brasil expressa desaprovação em relação à incursão russa na Ucrânia, no entanto, agora está defendendo a busca pela paz. “Não vou ficar fomentando a guerra. Quero criar condições para que os 2 países sentem [para negociar]. Eles não querem sentar porque cada um está achando que vai ganhar, mas em algum momento eles vão sentar e vão precisar de interlocutores com muita responsabilidade para tentar negociar, e o Brasil está participando [disso]”.
Lula se contraria no que fala. Anteriormente, em várias entrevistas, Lula considerou ambos os países envolvidos na guerra– Rússia e Ucrânia – igualmente culpados.
O presidente afirmou também que a diplomacia do Brasil está empenhada em promover a paz. Ele mencionou que Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, esteve na Dinamarca para discutir esse assunto.
Relembre a publicação
Lula foi capa da edição da última sexta-feira, 23, do jornal de esquerda Libération, com a manchete: Lula, a decepção. “O presidente brasileiro não é o precioso aliado que imaginávamos, especialmente quando se trata de ostracizar o novo pária do Ocidente: a Rússia, culpada de uma invasão intolerável da Ucrânia”, disse o jornal.

O texto destacou que, no cenário internacional, Lula era esperado como um “messias”, mas não passou de uma miragem ou uma imagem embaçada.
A reportagem também criticou Lula por receber, com pompas e honrarias, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no fim de maio em Brasília. O jornal questiona se Lula não tem conhecimento dos abusos cometidos na “República Bolivariana do Autoritarismo”.
Edição: Hector Muniz, com informações da Revista Oeste.
Foto: Reprodução/ TV Brasil