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A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tem reunião marcada nesta quarta-feira (26) com Vladimir Putin no Kremlin, em Moscou. Ela visitará o líder russo na condição de chefe do banco do Brics, o bloco diplomático que une Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.
Segundo a Folha ouviu de diplomatas, a visita não chegou a ser comentada com o Itamaraty. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pisado em ovos em relação à Rússia devido à posição de neutralidade crítica de Brasília acerca da Guerra da Ucrânia.
Nem sequer a embaixada brasileira em Moscou foi alertada da presença da ex-presidente, o que no Planalto foi visto como uma tentativa de manter separada a imagem de Dilma da de Lula. Ela, argumentam integrantes do governo, não representa o país, mas o banco do Brics.
Dilma era vista com simpatia em Moscou durante seus mandatos. Ela esteve no país como presidente em três ocasiões —em 2012, 2013 e 2014, na última vez em reunião do Brics. Quando sofreu impeachment, em 2016, a imprensa estatal russa usava frequentemente a palavra golpe para definir o processo.
A Folha não conseguiu contato com a ex-presidente. Na agenda de Putin, Dilma será recebida às 17h30 (11h30 em Brasília). O motivo mais ostensivo de sua presença é a provável participação na cúpula Rússia-África, uma demonstração de que Moscou não está tão isolada quanto gostariam EUA e aliados. Nesta terça, foi anunciado ainda que o russo irá à Turquia, em data a definir, e à parceira China, em outubro.
Foto: Serguei Karpukhin – 9.jul.15/Reuters
Com informações da Folha de S. Paulo*