A frente da Superintendência da Zona Franca de Manaus há três meses, o empresário e ex-deputado Bosco Saraiva afirmou durante entrevista ao programa Conversa Política, apresentado por Álvaro Corado, que a autarquia precisa de investimento para modernizar a instituição.
O superintendente da autarquia reafirmou alguns pontos como a integração regional, dinamização e interiorização das ações da Suframa e disse estar satisfeito com a nomeação de Leopoldo Montenegro. “Estou muito contente com o trabalho que a gente implementou aqui, na verdade é um ritmo, eu sou um operário e a gente acaba de montar o corpus operário aqui da diretoria, com a nomeação do nosso Leopoldo, que saiu esta semana para a superintendência de projetos, então é mais um servidor da Suframa que foi nomeado para um cargo superior aqui. Isso é muito bom para a valorização dos funcionários de carreira daqui da Suframa, e agora o time está completo exatamente pra a gente jogar com mais força nesses três meses.”, comentou Bosco.
O superintendente considera que o decreto que deu autonomia ao Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e a manutenção da ZFM na Reforma Tributária aprovada na Câmara dos Deputados, o ritmo passou a ser mais dinâmico e efetivo das pessoas que procuram a Suframa, “especialmente o setor empresarial, que tem vindo muito aqui, o novo texto da Constituição que nos deu a segurança jurídica, a votação na Câmara foi fantástica para nós. Texto que resultou na votação positiva para a Zona Franca. Veja que aquele simples sinal já tinha um monte de gente tomando informações daqui da Suframa, e a gente está de portas abertas pra receber todos aqueles que querem contribuir com o progresso da nossa região.”.
Sobre a demora na definição da equipe, Bosco disse que buscou fazer um trabalho efetivo com relação ao fortalecimento político-administrativo e enfatizou, político e administrativo. “Brasília funciona com a política, quem toca Brasília, o ritmo de Brasília são senadores e deputados federais e a gente fez tudo combinado com a nossa bancada, cem porcento alinhado, alinhamos com outras bancadas da região, também. Nós conversamos, por isso demorou um pouquinho, mas agora o time está completo.”, avaliou.
Questionado se os primeiros meses foram intensos devido as cobranças das nomeações de postos pela cobrança política e social, e em seguida teve que encarar a discussão da aprovação da reforma tributária, primeira batalha pela permanência dos incentivos ficais da ZFM, o superintendente revelou que houve a necessidade de mostrar para a sociedade que o atual governo tem compromisso com a ZFM.
Vale lembrar que o atual ministro Geraldo Alckmin, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço já foi considerado inimigo da ZFM. “Desde o dia que estive com ele, na Semana Santa – que oficializou o convite para que eu viesse para a Suframa, eu vim depois da indicação unânime da nossa bancada, eu senti o vice-presidente totalmente a favor do nosso estado, do nosso modelo. Aliás, quando eu tive essa conversa pessoal com ele, ele já tinha vindo para a reunião do CAS.”, disse.
Conforme Bosco, o vice-presidente já havia demonstrado o interesse pela manutenção do modelo, o interesse pelo CBA e pela Pan-Amazônia, para que a gente possa avançar nos negócios. “É um assunto que a gente tratou agora, em off, eu ele e o senador Omar Aziz (PSD), o alfandegamento do Porto de Tabatinga, para nossa relação com o Peru e o Equador, para gente poder comercializar.”, afirmou.
Por ter atuado na Câmara dos Deputados, Bosco disse compreender como funciona o Congresso Nacional e como funciona Brasília. “Eu tenho ido pelo atalho, exatamente para que a gente consiga vencer o tempo perdido, especialmente, nos últimos quatro anos. Machucaram muito a nossa Zona Franca, machucaram muito a Suframa. Tiraram os recursos da Suframa, diminuíram o orçamento para o funcionamento da autarquia ele saiu de R$58 milhões para R$37, numa decrescente, que é um sinal claríssimo de que queriam fechar nossa autarquia tão importante para o desenvolvimento da nossa região.”, ressaltou o superintendete.
Um dos problemas enfrentado internamente, é a falta de investimento para áreas simples como a comunicação da autarquia. “Não deixaram um centavo previsto para a comunicação socias, para a informação da importância da Suframa, isso foi um pecado que nós já estamos reestabelecendo. No próximo ano nós teremos recurso para isso. Precisamos aumentar o orçamento, temos motivos, temos argumentos para aumentar o orçamento para o funcionamento da Suframa, que não é só Amazonas. É Rondônia, Roraima, Acre e Amapá”.
Segundo Bosco, a Suframa funciona nos cinco estados, com R$47 milhões – e considera que o valor ínfimo para um organismo de tamanha importância como é a Suframa. Além disso, o valor do metro quadrado subiu naquela região, desestimulando a implantação de nova industrias.
“O que aconteceu as ocupações irregulares, as invasões tomaram de conta de boa parte daquela região importante para a ampliação do nosso parque indústria aqui em Manaus e isso nos tamos tentado reverter, voltar a regularizar junto à prefeitura. É preciso regularizar, combater o tráfico de entorpecentes na região, nós estamos articulados com a Polícia Federal, com a polícia estadual, com a prefeitura de Manaus e nós vamos agir fortemente com relação a esse assunto.”, ponderou.
Bosco ponderou, ainda, que é preciso compreender socialmente a carência habitacional na cidade de Manaus, porém é necessário preservar a área para a implantação de novas indústrias, exatamente para servir de postos de trabalho para esse público.
Expansão da ZFM
Bosco defendeu a expansão da ZFM, mas considera que para dar certo, é preciso que os estados beneficiados se integrem ainda mais. “Nós precisamos debater a ZFM do futuro no andar de cima, nós não poder estar aqui embaixo, na calçada, na beira da sarjeta, por isso a integração regional. A integração regional é estamos unidos, o Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá para defender esse modelo que alcança todos esses estados, nós tivemos a preocupação durante o debate – a bancada do Amazonas junto com as outras bancadas, de defender as áreas de livre comércio, que são as áreas onde estão postos os incentivos para a região como um todo.”, comentou ele.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a falta de comunicação interna. Segundo Bosco Saraiva, é necessário modernizar a autarquia para agilizar a comunicação. Bosco diz que no local deveria ter dois telões de 80 polegadas com os indicadores da economia, da indústria nacional, da indústria local em tempo real para o gestor olhar e questionar possíveis quedas, mas isso é impossível de fazer. Segundo Bosco, as informações são solicitadas por memorando, via e-mail, para receber uma semana depois.
Bosco vê a Suframa como um órgão importante para a região, que foi criada há 50 anos, mas ficou localizada somente em Manaus, mas deveria ter sido estendida para além das fronteiras.