BID e BNDES assinam com governadores da Amazônia compromisso para destinar R$ 4,5 bi para microempresas da região

BID e BNDES se comprometem a investir R$ 4,5 bilhões em microempresas da região amazônica, visando um desenvolvimento sustentável da floresta.
Redação O Poder
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Com o objetivo de investir R$ 4,5 bilhões em micro, pequenas e médias empresas da Amazônia Legal brasileira, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) firmou, nesta segunda-feira, 7, um compromisso com os governadores dos estados da região. Por meio de acesso ao crédito, a carta de intenções vai ajudar empresários comprometidos em construir novo modelo de desenvolvimento sustentável e que mantenham a floresta em pé.

O acordo, firmado durante o evento “Diálogos Amazônicos”, em Belém (PA), também conta com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e busca avançar com o Programa de Acesso ao Crédito para MPMEs (Pró-Amazônia). O anúncio da medida teve a presença do primeiro brasileiro a presidir o BID, Ilan Goldfajn, da ministra do Planejamento, Simone Tebet, e seis governadores do Consórcio Amazônia Legal (CAL), cujos oito estados devem ser beneficiados.

De acordo com o economista Ilan Goldfajn, o BID tem uma relação específica com cada um dos estados da Amazônia, mas a ideia da parceria é promover uma coordenação entre os entes federativos e detectar quais são as áreas que mais necessitam de investimento.

“O entendimento é trabalharmos juntos para tentar aumentar o financiamento para a região, com foco em impedir o ponto de não-retorno da floresta, e aproveitar esse momento de boa vontade política no mundo”, destacou o presidente do BID.

O ponto de não-retorno é o termo usado para se referir ao momento em que a floresta perde sua capacidade de se autorregenerar, por conta do desmatamento.

Ao todo, serão US$ 750 milhões do BID e US$ 150 milhões do BNDES, em operação garantida pelo governo federal. O crédito, contudo, precisa ser aprovado pela Comissão de Financiamento Externo (Cofiex), ligada ao ministério de Tebet.

Esforços do BID

Segundo Ilan Goldfajn, o programa é visto como “elemento-chave” nos esforços do BID para preservação da Amazônia e que os projetos direcionados a comunidades indígenas e a agricultura familiar serão prioridades do BID. O presidente do banco cita ainda o Programa Amazônia Sempre (Amazônia Forever), que também incentiva atividades econômicas alternativas e sustentáveis.

“Nosso programa Amazônia Sempre é um esforço holístico que busca aumentar o financiamento por meio de novos instrumentos financeiros, fortalecer o planejamento e a execução de projetos e criar redes para compartilhar conhecimento e inovações baseadas em evidência”, disse Goldfajn.

Amazônia presente

De acordo com a ministra Simone Tebet, a ideia de trazer o programa para a Amazônia brasileira veio diante da necessidade de garantir a preservação da floresta e a chegada da COP-30, a Conferência Anual do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2025, no Pará, que vai debater soluções para o desenvolvimento sustentável para o mundo.

A ministra defendeu o fim da burocracia para o financiamento de bancos e que é preciso acabar com polarização entre meio ambiente e desenvolvimento. A expectativa, segundo Tebet, é que o projeto esteja no portal da transparência até o final de setembro deste ano e que isso ajudará a dar celeridade ao andamento dos projetos.

“É preciso fomentar o desenvolvimento regional, garantir dignidade, emprego e renda, carteira assinada ou economia de subsistência para os homens e mulheres que vivem na Amazônia Legal, afinal são 28 milhões de pessoas. Sem isso não temos proteção ambiental”, declarou a ministra.

Coalizão

O financiamento faz parte da Coalizão Verde, grupo reúne 19 instituições financeiras dos países da Bacia Amazônica em defesa do desenvolvimento sustentável. O investimento no crédito é uma das ações preparativas para a COP-30, mas os empréstimos dos empresários devem cumprir políticas ambientais e sociais do BID.

Gestores

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Estiveram presentes no evento desta segunda-feira, os governadores do Amapá, Clécio Luís; do Amazonas, Wilson Lima; do Pará, Helder Barbalho, do Maranhão, Carlos Brandão; de Roraima, Antônio Denarium, e do Tocantins, Wanderlei Barbosa. Além de Tebet, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e secretários de Estado, assessores técnicos e outras autoridades participaram do encontro.

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“Sempre se discutia a Amazônia sem a Amazônia. Não adianta falar em sustentabilidade se as homens e mulheres da Amazônia não conseguem alimentar sua família”, destacou o governador do Amazonas, Wilson Lima.

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O governador Helder Barbalho, também defendeu o protagonismo da Amazônia. “É preciso converter conhecimento em um novo modelo econômico, que é a sociobioeconomia. Se nós virarmos essa chave, construirmos essa nova vocação econômica para os estados amazônicos, teremos impulso profundamente decisivo e estruturante no contexto da redução dos desmatamentos, dos conflitos da floresta”, afirmou.

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