Uma pesquisa do IDSC (Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades) lançada esta semana, levantamento feito pelo Instituto Sustentáveis, mostra que sete em cada dez municípios brasileiros apresentam nível baixo ou muito baixo de desenvolvimento sustentável, sendo que a maioria deles está na Amazônia. O assunto foi debatido durante o programa “Boa Noite, Amazônia“, que entre os assuntos, citou também a baixa efetividade da Carta de Belém diante desse quadro.
No programa, participou o coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS) Jorge Abrahão e a economista Michele Aracaty.
Segundo Abrahão, os números levantados este ano mostram um retrocesso nos últimos sete anos no Brasil. “O que aconteceu nos últimos sete anos foi um retrocesso em muitas áreas: o país voltou ao mapa da fome, aumentou o desemprego. Ao mesmo tempo, segue com uma violência muito grande, problemas na educação e saúde. Isso é refletido nos dados.”, destacou.
Realidade ainda distante do ideal
A economista Michele Aracaty repercutiu o índice muito negativo de municípios da região amazônica e chamou a atenção para a necessidade de política públicas para reverter esse quadro. “Ao ver o mapa do Brasil é possível analisar que a região amazônica e parte do nordeste está muito distante da realidade a ser buscada. Inclusive não temos nenhuma cidade como bem colocada no estudo, que se aproxima de ser uma cidade sustentável. Tá faltando tudo para nós. Não temos nenhum exemplo que possa colocar para se mostrar o que é uma cidade sustentável.” , destacou a economista.

Na avaliação por região, apenas o Sudeste foi classificado com nível de médio desenvolvimento. As demais apresentaram resultados inferiores. E e em relação a avaliação por bioma, a situação é ainda mais agravante. A Amazônia é o bioma com o pior índice quando avaliada a média de todos os municípios — é o único classificado com nível muito baixo de desenvolvimento.
“Um ponto que deve ser colocado aí são as mudanças climática que está relacionado com a Cúpula da Amazônia que aconteceu agora em Belém. As mudança climáticas vão impactar ainda mais sobre a vida das pessoas que estão nas cidades. E até 2050 a maioria das pessoas do Brasil vão morar nas cidades.”, disse Aracaty.
Apesar das preocupações o coordenador Jorge Abrahão tem otimismo quanto a melhoria das cidades. “Não tem muita justificativa um país tão rico ter esses problemas que a gente tem.”, destacou Abrahão que lembrou ainda que o estudo tem objetivos a serem implementados pelas cidades até 2030.
Artes: Jean Henson