Defensoria recomenda suspensão da venda de ingressos para o ‘#SouManaus’

Defensoria Pública recomenda suspensão da venda de ingressos para o festival '#SouManaus' em Manaus, argumentando que a medida restringe o acesso da população às atrações.
Redação O Poder
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A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) expediu, nesta quarta-feira (23), recomendação à Prefeitura de Manaus e à Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult) para suspender a cobrança de ingressos, em qualquer modalidade, e a troca de garrafas pets ou alimentos para acesso às atrações do festival #SouManaus Passo a Paço 2023, que acontece nos dias 5, 6 e 7 de setembro na capital.

De acordo com o documento, a medida leva em consideração as manifestações da população, que demonstram insatisfação com o formato adotado “pela qual resta patente que as principais atrações sofreram forte restrição de acesso, seja pela necessidade de compra de ingressos, seja pela necessidade de troca de pulseiras de acesso”.

Além da suspensão da venda de ingressos e da limitação de acesso da população ao festival, a Defensoria recomenda ainda que a Prefeitura de Manaus realize campanhas de educação ambiental, a fim de conscientizar a população quanto ao despejo adequado dos resíduos sólidos e que as medidas sejam tomadas em regime de urgência, face aos direitos sociais ameaçados, sem prejuízo de adoção de outras medidas cabíveis e a verificação de outras situações controversas, como a falta de atrações para demais manifestações religiosas.

“O evento é realizado anualmente pelo Município, tornando-se já integrado ao calendário cultural da cidade, o qual sempre se destacou pela gratuidade e livre acesso da população às diversas atrações (…). O evento conta com a aplicação de verba pública, e tem a população como a destinatária final (…)”, reforça a recomendação.

O documento foi encaminhado à Prefeitura de Manaus, ManausCult, Procuradoria-Geral do Município (PGM) e Casa Civil, para que adotem providências e encaminhem as respostas, no prazo de 72h, a contar da data da expedição do ofício.

A não observância do disposto na recomendação pode acarretar na adoção de medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis.

Nesta quarta-feira, a empresa Pump Manaus, contratada pela prefeitura, anunciou os valores da área de frontstage e dos camarotes fechados para os dois palcos que terão apresentações nacionais e internacionais nos dias 5, 6 e 7 de setembro na área do Porto de Manaus.

A empresa informou as vendas de ingressos para o frontstage, para cada dia, com valores diferenciados, com open bar de água, cerveja e refrigerante ou sem, entre R$ 600, 150 e 30. Os camarotes somente serão vendidos somente para grupo de 30 pessoas que devem desembolsar valores de R$ 15 a 30 mil, para os três dias do evento.

O vereador Rodrigo Guedes usou sua rede social para criticar as medidas adotadas pela prefeitura.

“O prefeito conseguiu separar os ricos dos pobres, quem pode irá pagar o ingresso e vai ficar separado e no seu conforto. O pobre tem que catar garrafa pet (não vejo problema nisso) para entrar e ficar amontoado. É um grande absurdo, um evento que era para ser de todos, igual para todos, vai ser segregado, rico para um lado e pobre para outro”, contestou.

O parlamentar também mencionou os 13 milhões de reais de orçamento com dinheiro público e o fato da Pump Manaus estar trabalhando no evento 12 semanas antes do evento, quando foi anunciada pelo prefeito de Manaus, David Almeida, por meio de suas redes sociais.

“Como é que ela sabia que ia ganhar? Como ela tinha certeza ? Como é que ela estava organizando? A licitação foi feita em apenas 4 dias! Carta marcada?.”, indagou.

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