A vazante dos rios no Amazonas está causando problemas de transporte, com redução na capacidade das embarcações e preocupações com o abastecimento de comunidades. Há temores de falta de energia devido à dificuldade de abastecer usinas termelétricas. Isso também afeta a produção da Zona Franca de Manaus. Quatro dos principais rios da região atingiram níveis historicamente baixos, dificultando a navegação. O governo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, está trabalhando para garantir o abastecimento de insumos e mercadorias na ZFM, apesar da estiagem no estado.
Com 20 anos de experiência em navegação pelos rios do Amazonas, o Prático da Lancha Ajato PP Maués 2, Dernando Mendonça, conta que na próxima semana devem reduzir a capacidade de passageiros de 100 para 50 apenas, e a carga que cada passageiro leva consigo também deverá ser limitada a um peso específico.
“Se continuar topando (o calado da lancha tocando no fundo do rio) vai ter que reduzir para o mínimo e colocar pessoas sentadas na proa (parte da frente da embarcação) para poder suspender a popa (parte traseira da embarcação). Aqui na entrada do Ramos, chegou a até 40 centímetros e eu topei, são bancos de areia que formam porque não é só a gente que passa, outras embarcações vão cavando e vão formando (bancos de areia).”, comentou.

Em Tefé, há 12 anos, o dono de embarcação Genese Nogueira presta serviços para a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), transportando insumos para comunidades indígenas na calha do Juruá, indo de Tefé até Eirunepé. A embarcação está parada há 4 meses, após tornar-se inviável a navegação.
“Até onde eu sei estão fazendo de aeronave (o transporte) juntamente com a Marinha e o Exército, inclusive a coordenadora estava em Jutaí e Fonte Boa, verificando como é que tá a situação, por que de embarcação tá tudo parado. A primeira cidade do Juruá já tá isolada, nasceu umas pedras na frente, criou um barranco de pedra na frente que os barcos não conseguem passar de lá” disse o proprietário do barco 11 de janeiro.
Amazonas Energia nega risco de desabastecimento
Nesta terça-feira (10), o diretor da Amazonas Energia, Radyr Gomes, convocou uma coletiva de imprensa para negar a possibilidade de falta de energia elétrica em municípios do Amazonas. Isso ocorreu após o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Anderson Sousa, ter alertado sobre esse risco. Segundo Anderson Sousa, o abastecimento de diesel, necessário para alimentar usinas termelétricas, estaria comprometido devido às dificuldades de navegação causadas pela vazante dos rios.
Receio de afetar Zona Franca
Segundo o vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam) e diretor da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Nelson Azevedo, mais de 90% da produção da Zona Franca de Manaus (ZFM) é destinada à comercialização no Brasil. Há uma preocupação quanto à chegada de matéria-prima e ao escoamento da produção devido à vazante.
Quatro dos seis principais rios atingiram menor nível
De acordo com o Sistema Geológico Brasileiro (SGB) e a Agência Nacional de Águas (ANA), os rios Amazonas, Branco, Negro e Purus, que compreendem quatro dos seis principais rios da Bacia Amazônica, atingiram o nível mais baixo já registrado no histórico de medições para setembro.

Resposta do Estado
O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, está em diálogo com as empresas do Polo Industrial de Manaus para garantir o abastecimento de insumos e mercadorias na Zona Franca de Manaus, apesar da estiagem no estado. O secretário da Sedecti, Serafim Corrêa, assegurou que não há previsão de falta de água, gás, energia e produtos no momento. Ele tranquilizou a população, afirmando que o governo está em contato constante com o setor empresarial para prevenir quaisquer problemas de abastecimento. A ação da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros está ajudando a atender às necessidades da população durante esse período.
Recentemente, o governo do estado anunciou várias medidas para lidar com a crise causada pela vazante dos rios na região. Receberam 1.750 kits de assistência farmacêutica enviados pelo governo federal e aguardam 61 milhões de reais da Defesa Civil Nacional para comprar cestas básicas, água e combustível para ajudar comunidades afetadas. Além disso, foi anunciada a entrega de cestas básicas em várias cidades, incluindo uma parceria com o Amazonas Futebol Clube para doar cestas e incentivar a torcida a contribuir.
O governo também lançou o site do Clima para fornecer informações atualizadas sobre o clima e níveis dos rios. Eles receberam uma doação de 3,5 milhões de reais do banco alemão KfW para comprar cestas básicas e água potável para moradores de reservas de desenvolvimento sustentável. Essas medidas visam ajudar a população do Amazonas durante essa crise.