‘Estão exterminando os mestiços’, diz Plínio ao votar contra cotas na educação

Senador critica projeto de cotas por não reconhecer mestiços como categoria a parte, alegando que eles estariam sendo 'exterminados' pela lei.
Redação O Poder
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O senador Plínio Valério (PSDB), foi o único da bancada amazonense a manifestar apoio à eliminação das cotas raciais nas institutições de ensino. A modificação em questão foi apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante as discussões do Projeto de Lei nº 5.384/2020, que tem como proposta reformular e expandir o sistema de cotas no ensino federal. Ao ser aprovada, impactaria profundamente a versão original do projeto, alterando-a de maneira substancial. A emenda estabelecia cotas nas instituições de ensino superior e técnico de nível médio apenas para estudantes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, mantendo a porcentagem de 50% das vagas, porém, retirando a exigência de que os estudantes tenham cursado integralmente o ensino médio em escola pública. O texto alternativo também elimina a reserva de vagas para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Valério criticou que o projeto não reconhece os mestiços como uma categoria à parte e afirma que, de acordo com o IBGE e o governo, os mestiços são considerados como “pardos”. Ele alegou que haveria prejuízos à comunidade na obtenção de benefícios como bolsas de estudo e votou contra o projeto.

“Eu não entendo se pregar tanto a justiça quando se comete injustiça. Eu não vi em nenhum momento, e conversei muito com o senador Paim, e a grande vantagem desse projeto, até com o relator senador Paim, que é de diálogo, que é de conversa, a culpa remete ao IBGE. O IBGE e agora as cotas, a lei da cota, estão exterminando com os mestiços. Os mestiços não existem mais. Nós temos no Amazonas uma lei que reconhece mestiço como etnia. Nós temos no Amazonas uma nação mestiça que se orgulha de ser mestiço. Essa lei da cota não fala em mestiço. Eles não existem. Em nome dos mestiços do Amazonas, em nome dos mestiços do Brasil, que se comunicam comigo, eu vou votar contra esse projeto, sim. Eu entendo que é importante prorrogar, eu entendo tudo isso, mas não posso compreender como se tira do mapa, se extermina do mapa, uma etnia como mestiço, uma categoria como mestiço, seja lá como for que você queira chamar. Por que que não colocam, então, os pardos dizem que são mestiços? Não colocam nos parênteses ‘mestiços'”, criticou. O parlamentar ainda defendeu que os próprios mestiços não se consideram pardos, mas o IBGE e o Governo dizem que mestiço ‘é pardo’ e sugeriu que fosse posto, ao lado do ‘pardo’ a palavra ‘mestiço’.

“Então, se coloque pardo, mestiço. Quando essa gente que se diz mestiço for querer bolsa, não vai encontrar. Vai ter que admitir que não é mestiço. Então, meu amigo senador Paim, conversamos muito sobre isso, e a grande vantagem, repito, é tê-lo como relator. Eu vou votar contra o projeto, vou votar a favor de qualquer emenda. E faço isso em nome dos mestiços do Brasil”, concluiu.

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