Nesta terça-feira (7), uma declaração do vereador Rodrigo Guedes (Podemos) causou uma intensa discussão na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A fala veio após as declarações do secretário municipal de Meio Ambiente (Semmas), Antônio Stroski, que informou sobre a falta de recursos para realizar ações ambientais, durante a sessão plenária desta terça-feira.
O parlamentar culpou a Prefeitura de Manaus como um todo “porque seria covarde falar somente da Semmas, sendo que quem define o orçamento é o prefeito de Manaus”.
Ele afirmou que a Câmara de vereadores aceita o orçamento proposto pela prefeitura sem a devida análise para equilibrar as políticas públicas e priorizar questões críticas.
“Infelizmente a Câmara Municipal de Manaus aceita o orçamento que vier da prefeitura sem fazer a ponderação necessária para equilibrar as políticas públicas e priorizar o que é prioridade. Infelizmente, foi aprovado aqui, com meu voto contrário, um orçamento pífio para a Semmas. Orçamento que já veio baixo da Prefeitura de Manaus e os vereadores não alteraram para permitir que a Semmas tenha a estrutura necessária para desempenhar a agenda da prefeitura”, disse.
O vereador criticou a falta de plantio de mudas na cidade, lembrando que Manaus é a segunda cidade menos arborizada do Brasil. Rodrigo Guedes ressaltou a importância de combater invasões em áreas de proteção ambiental e a destruição de áreas verdes devido a empreendimentos. Ele enfatizou que a agenda ambiental da cidade é problemática e que a falta de recursos e estrutura adequada é um obstáculo. Ele apelou ao prefeito para alocar mais recursos, pelo menos triplicando o orçamento. Caso isso não aconteça, ele instou a Câmara Municipal a redirecionar o orçamento de maneira mais eficaz.
“A agenda ambiental da cidade é um desastre. Eu não imputar [isso] à falta de comprometimento de vossa excelência. Eu sei que vossa excelência quer [cumprir a agenda], assim como a equipe da Semmas. Eu sei que ali tem pessoas qualificadas, eu sei que ali precisa de sem concurso público e sem estrutura realmente não dá pra fazer. O prefeito precisa entender que isso é pauta prioritária. Primeira coisa que ele tem que fazer é enviar recursos, colocar pelo menos o triplo de orçamento. E se não colocar, a Câmara Municipal precisa criar vergonha na cara e remanejar o orçamento pra colocar dinheiro onde precisa”, destacou.
Em resposta, o secretário concordou em fornecer aos vereadores a relação das áreas onde ocorreu o plantio de mudas desde 2021, reconhecendo que Manaus enfrenta desafios na arborização.
‘Bateu, levou’
Vereadores da base do prefeito David Almeida (Avante) criticaram a postura de Guedes. O vereador Dione Carvalho (Patriota) expressou desacordo com a maneira como Guedes se manifestou, afirmando que, ao instar a Câmara Municipal a “tomar vergonha na cara,” ele também está se criticando.
“Ele está desrespeitando não só a casa, mas ele mesmo. E eu discordo dele, porque nós estamos aqui para concordar e discordar, mas sempre respeitando e partindo do princípio da legalidade. Nesta casa aqui, todos os nobres vereadores foram eleitos democraticamente para representar a cidade de Manaus. Vamos ponderar nossos discursos, para que não ofenda a casa”, afirmou Dione.
Raulzinho (PSDB), vice-líder da base, concordou com Dione Carvalho, argumentando que há coisas que não devem ser ditas. Ele destacou que todos os vereadores foram eleitos democraticamente para representar a cidade de Manaus e que é importante ponderar os discursos, evitando ofender a instituição.
“Tem vereadores aqui que têm de se conter e respeitar a vontade da população de Manaus, porque todos fomos eleitos através do voto democrático. É muito fácil criticar, jogar pedra. É mais fácil jogar pedra do que trabalhar. E pessoas que procuram, de alguma forma, esconder o que não fazem, procuram jogar pedras. Eu participei de várias atividades da Semmas, principalmente no Alphaville, na zona Norte, na zona Leste”, enfatizou.
Finalmente, o vereador Sassá da Construção Civil também criticou as declarações de Rodrigo Guedes e sugeriu que o vereador deveria “se tratar, procurar um médico de cabeça, um hospício”.