A ausência da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na CPI das ONGs gerou discussões acaloradas no Senado, nesta terça-feira (21). O presidente da comissão, Plínio Valério (PSDB-AM), expressou sua insatisfação com a decisão da ministra de não comparecer e explicou os esforços feitos para manter o convite, conforme acordado com o senador Beto Faro (PT-PA).
Valério argumentou que a CPI não pode se sujeitar aos compromissos de agenda da ministra e destacou as tentativas de diálogo. “Nós não podemos, por mais compreensão que tenhamos, eu tenho, a gente começou com o líder Jacques Wagner até esgotar, conversando de todo jeito, insistindo para que fosse convite, e só dependeu da resposta dela”, afirmou o presidente.
Ainda segundo Valério, Marina Silva apresentou suas limitações de datas, deixando a CPI com poucas opções viáveis. O senador ressaltou que a data proposta pela ministra coloca a comissão em uma situação delicada, à véspera do encerramento dos trabalhos. O presidente da CPI defendeu a necessidade de prosseguir com a investigação, levando em consideração a urgência e a importância do tema em discussão.
Beto Faro (PT-PA) interveio na discussão, explicando os compromissos da ministra Sônia Guajajara, que está envolvida em atividades relacionadas à COP28. Ele ressaltou a disposição da ministra Sônia em comparecer à CPI entre os dias 13 e 15 de dezembro, caso seja um convite. No entanto, Beto Faro trouxe informações sobre a ministra Marina Silva, indicando que ela também está disposta a participar, mas enfrenta desafios logísticos devido a sua agenda.
“Inclusive, falando dos dois temas, a ministra Sônia, todo mundo sabe que tem toda essa agenda da COP, eu, inclusive, estou indo à COP28. A ministra Marina Silva está hoje pro Sul, tem reunião amanhã com o governo, tem Paraná, tem o governo de Santa Catarina e o governo do Sul. Como é o primeiro requerimento dela, se for em convite, ela está se dispondo, ela chega no dia 12, aqui, em Brasília, de volta da COP.”
Beto Faro defendeu a disposição de Marina Silva em participar da CPI, apesar das dificuldades logísticas. Ele mencionou a presença da ministra em outras sessões do Senado, demonstrando seu apreço pela casa. O senador petista pediu compreensão diante das agendas complexas dos ministros.
‘Bate-boca’
A situação ficou acalourada durante o debate sobre a convocação. Márcio Bitar (MDB-AC), relator da CPI, expressou frustração com a falta de clareza nas propostas de datas apresentadas pelos representantes do governo. O bate-boca entre Bitar e Beto Faro revelou divergências sobre a convocação de Marina Silva.
O relator argumentou: “Olha, a convocação vai em branco, portanto ela combina essa data com o presidente. Ela foi convidada e não veio. Ela prefere ir pra COP, como eu já vi lá em Nova Iorque, do que dar prestação de conta do Brasil.
Beto Faro retrucou: “Imagina só se a ministra não vai à COP, né? Não é porque ela quer ir.”
Único que votou contra convocação de ministra
Beto Faro foi o único senador que votou contra a convocação da ministra, que ficou sem uma data definida para a apresentação. Diante da pressão para cumprir o calendário da CPI, que prevê a leitura do relatório até o dia 5 de dezembro, a ausência de Marina Silva nas próximas semanas pode impactar o andamento das investigações.
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