Rafael Barbosa, mais votado para defensor-geral tem ligações íntimas com Carlos Almeida Filho 

Relação próxima entre candidato mais votado para defensor-geral do Amazonas e político com atuação na Defensoria Pública gera questionamentos sobre possíveis interesses políticos.
Redação O Poder
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Nas recentes eleições para o cargo de defensor-geral do Amazonas, o defensor público Rafael Barbosa emergiu como o candidato mais votado, mas sua trajetória está entrelaçada em ligações íntimas, especialmente com o defensor público e político, Carlos Almeida Filho.

A relação entre Rafael Barbosa e Carlos Almeida Filho ganha destaque na parceria na obra “A realização do direito humano à moradia”. Durante eventos como o segundo encontro de produções literárias em setembro de 2023, Carlos Almeida Filho utilizou o espaço da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) para fazer elogios explícitos a Rafael Barbosa, que esteve presente no local, e revelou detalhes sobre o convite que fez para que Barbosa participasse ativamente da elaboração da obra.

Carlos Almeida Filho não apenas convidou Rafael Barbosa para compor a banca de mestrado, mas também o escolheu para redigir o prefácio da versão comercial da dissertação. No prefácio,

Rafael Barbosa faz diversas considerações a Carlos Almeida Filho, chamando-o de “amigo-irmão”.

Esse convite não apenas revela a estreita colaboração entre os dois defensores, mas também sugere uma relação que transcende o âmbito profissional. A parceria na escrita da obra “A realização do direito humano à moradia” torna-se um ponto central de questionamentos sobre a influência dessas conexões na dinâmica da Defensoria Pública do Amazonas.

Rafael Barbosa, durante sua gestão como defensor público geral do Estado em 2018, saiu em defesa de Carlos Almeida Filho, que na época era candidato a vice-governador na chapa de Wilson Lima. Essa atitude suscitou questionamentos sobre possíveis influências políticas e alianças nos bastidores.

Em 2018, a defesa pública de Rafael Barbosa gerou controvérsias, sendo acusado de usar a Divisão de Comunicação Social da instituição com fins eleitorais. O governo do Estado, na época, alegou violação da Lei 9.504/1997, que proíbe o uso de recursos e estrutura de instituição pública no processo eleitoral.

Outro ponto polêmico surge com uma armação liderada por Carlos Almeida Filho em julho de 2021, que, aproveitando a ausência do governador Wilson Lima em Brasília, tentou articular a demissão do secretário de Segurança Pública, Coronel Louismar Bonates, evidenciando uma disputa acirrada nos bastidores.

Além disso, a relação entre Carlos Almeida Filho e o governador Wilson Lima tornou-se conflituosa, resultando em Carlos Almeida sendo considerado persona non grata no governo. Essa condição foi estabelecida devido à tentativa de Carlos Almeida Filho de estimular a Assembleia Legislativa a aprovar o impeachment do governador Wilson Lima durante a pandemia, buscando assumir o governo.

Com Rafael Barbosa como líder nas votações, a lista tríplice enviada ao governador Wilson Lima coloca nas mãos deste a decisão crucial sobre o novo defensor-geral do Amazonas. Essa escolha não apenas determinará o curso da Defensoria Pública para o biênio 2024-2026, mas também influenciará o cenário político do estado.

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