Em um vídeo publicado nas redes sociais, Alfredo Nascimento (PL), ex-ministro dos Transportes e líder no Partido Liberal (PL) no Amazonas, expressou críticas direcionadas a Marina Silva, atual ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática. Nascimento destacou dificuldades enfrentadas no processo de licenciamento ambiental para a rodovia BR-319. Adicionalmente, ele abordou a questão do apoio de Silva à construção da camada asfáltica na BR-364, uma estrada que atravessa o Acre, estado natal da ministra. Ainda afirmou que ‘depende do presidente (Lula)’ para que a rodovia seja reconstruída.
“A ministra autorizou o licenciamento ambiental, através do governo do estado, para asfaltar no estado dela, no estado do Acre, a BR-364, que liga Rio Branco a Cruzeiro do Sul, numa área inteiramente constituída de florestas vígens, o que é um absurdo, dois pesos e duas medidas. Então ela é inimiga do Amazonas desde a época que eu fui ministro. Quando eu descobri, principalmente por causa do assunto da BR-319, que a esquerda constrói narrativas e não faz nada daquilo que prometem fazer, o governo está aí, todos estão vendo as propostas que foram feitas e que estão sendo quebradas ao longo do tempo. Então é assim, a BR-319, ela pode ser feita? Pode sim. E só depende do presidente da república. Se eu sou o presidente da república, um ministro nada mais é do que um servidor, um empregado, entre aspas, do presidente da república. Tem que encontrar uma forma de resolver isso. E nunca o PT quis resolver isso”, criticou.
Experiência
Ele relatou sua experiência como ministro dos transportes e mencionou os esforços para conectar Manicoré a Manaus e Humaitá a Porto Velho. Nascimento também falou sobre a necessidade de construir uma ponte significativa ao longo da BR-319, além de outras pontes menores previstas no projeto. Ele refletiu sobre sua decisão de deixar o cargo de prefeito para se tornar ministro, uma escolha da qual posteriormente se arrependeu.
“Eu saí há 12 anos, está destruída de novo a BR-319. Eu fiz a ligação de Manicoré para Manaus, ligando a 174 a 319. Eu fiz a ligação de Humaitá com Porto Velho e liberei essa rodovia até o quilômetro 198. Só falta construir uma grande ponte ao longo desses 858 quilômetros, que é sobre o rio, em Gapó Sul, uma ponte de cerca de 600 metros. As outras todas são pontes pequenas que serão construídas ao longo do desenvolvimento do projeto. Então essa é uma obra que eu fico torcendo, porque eu sei. Por que eu renunciei a um ano de mandato de prefeito e fui ser ministro dos transportes? Era melhor para mim ser ministro? Não, era melhor para mim ser prefeito. Tanto que eu me arrependi depois do que fiz, porque o meu objetivo não foi alcançado. Eu não consegui construir a BR-319 e foi atribuída a minha culpa. Eu dizia que vinha com a marina, depois ela saiu do ministério, entrou um rapaz chamado Henrique, que nós fomos asias de fato. Foi muito constrangedor para mim esse período em que eu fui ministro”, lamentou.
Impasse
A BR-319, uma rodovia que conecta Manaus a Porto Velho, permanece sem pavimentação devido a uma combinação de desafios ambientais, logísticos e políticos. Situada no interflúvio entre os rios Purus e Madeira, a construção e a manutenção de uma estrada nesta região pode implicar em impactos ambientais, incluindo a perda de biodiversidade e o aumento do desmatamento, segundo a Ministra Marina Silva. Essas preocupações ambientais levaram a rigorosos processos de licenciamento ambiental, muitas vezes atrasando ou impedindo a realização de obras.
Além disso, a localização remota e as condições climáticas adversas na Amazônia dificultam as operações de construção e manutenção, elevando os custos e a complexidade do projeto. Ademais, questões políticas e a alternância de prioridades dos diferentes governos ao longo dos anos também contribuíram para a falta de continuidade e conclusão do projeto de pavimentação da BR-319.
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