David Almeida deve cobrar favores de Alfredo Nascimento para intervir em chapa ‘puro sangue’ do PL?

Prefeito David Almeida pode usar favores com Alfredo Nascimento para interferir na chapa 'puro sangue' do PL em Manaus.
Redação O Poder
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Nos bastidores da política, o cenário está prestes a se transformar em um verdadeiro campo de batalha, com intrigas e alianças dominando as estratégias de figuras-chave. Neste fim de semana houve repercussão sobre a possibilidade de o prefeito David Almeida (Avante) cobrar Alfredo Nascimento (PL) por favores passados e até a vinda de Nascimento como candidato da sigla de Jair Bolsonaro. O cientista político Afrânio Soares e o analista Anderson Fonseca, em conversa com o site O Poder, ‘jogaram luz’ sobre os interesses e rivalidades que moldarão as próximas movimentações nos corredores do poder na capital amazonense.

A cobiça por uma cadeira na Câmara Federal torna-se a peça central do xadrez político de Alfredo Nascimento, na avaliação de Soares.  Ele não acredita que o político tenha interesses como chefe do poder executivo municipal. Como suplente do Capitão Alberto Neto (PL), Nascimento vislumbra sua chance de ascensão, especialmente se a chapa “puro sangue” entre Neto e Coronel Alfredo Menezes se concretizar.

“O interesse maior de Alfredo é assumir uma cadeira na Câmara Federal. No caso, ele é suplente do Capitão Alberto Neto, que é do PL, mesmo partido, e caso o Capitão Alberto venha a ser vice-prefeito, no plano original que se comenta, é que ele seria vice na chapa de David Almeida. Depois de recentes brigas e reconciliações com o Coronel Menezes, se falou nessa chapa puro sangue. Se de certa forma ela for bem sucedida, Alfredo vai para a câmara federal. Então, não atrapalha o plano original do Alfredo. Imagino que para David Almeida perder o apoio do PL é bastante significativo. O Alfredo não quer assumir como suplente. Se Alberto Neto for bem sucedido, ele vira deputado federal”, avaliou.

Fonseca mencionou que é prematuro afirmar se há risco ou ameaça para a chapa “puro sangue” por parte de um possível diálogo de Almeida com Nascimento. A ressalva se baseou no recente retorno do Coronel Menezes ao PL, que adicionou uma complexidade adicional às dinâmicas políticas locais.

“Neste momento, é prematuro nós afirmarmos se existe um risco ou apresentarmos qualquer tipo de ameaça a essa chapa ‘puro sangue’, tendo em vista o fato de que Coronel Menezes acabou de ser readmitido no PL. Nós temos uma situação bastante dicotômica. Temos o Capitão Alberto Neto, que tem um mandato em exercício, é muito bem cotado, com grandes chances com essa aliança que pode ser feita com o Coronel Menezes para uma chapa ‘puro sangue’ a disputar a Prefeitura de Manaus, isso sem colocarmos na balança que eventualmente, Alfredo Nascimento descartará essa situação para se aproximar de David Almeida. Neste momento, parece pouco provável que, embora tenha se aproximado, no que diz respeito à conjuntura política, existem outros elementos que passam por uma situação de cunho nacional e são um pouco mais pesados”, considerou.

Sem Nascimento, Almeida deve buscar apoio do ‘governo federal’?

Para Soares, Almeida deve buscar apoio através dos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga. No entanto, surge uma preocupação devido ao histórico de David com o PL, sem claras indicações de como essa tentativa de composição seria recebida. O tom é de cautela, expressando a ideia de que o desfecho permanece incerto. O exemplo citado sobre a composição de Eduardo Braga com Marcelo Ramos ilustra a possibilidade de coalizões políticas.

“Para David Almeida, seria mais fácil buscar esse apoio por meio dos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga. O único problema é que David já flertou bastante com o PL e não sei como estaria vista essa tentativa de composição. Mas tudo é possível. A composição de Eduardo Braga com Marcelo Ramos é um exemplo. Temos que esperar um pouco para ver como isso vai se desenrolar. Mas o canal no governo federal é Aziz e Eduardo”, avaliou.

Fonseca discorda da possibilidade.

“[…] se isso vai resultar em uma aliança com petistas para eventualmente compor uma chapa para a eleição, eu acredito que não, a menos que a conjuntura realmente se modifique de maneira mais densa, permitindo-lhe fazer o contraponto a uma chapa “puro sangue” que é totalmente voltada à direita. Além disso, se isso vai realmente se concretizar, se vai ter sucesso de alguma forma, também é uma indagação muito grande que se faz, considerando, mais uma vez, que temos uma capital sabidamente majoritariamente voltada à direita, não apenas à direita, mas à direita de Bolsonaro, e temos aqui um grande aliado do ex-presidente Bolsonaro, o coronel Menezes, já se articulando para uma chapa “puro sangue”, e um deputado que é alinhado à direita”, concluiu.

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