Uma nova controvérsia envolvendo o Partido Liberal (PL) no Amazonas e seus dirigentes surgiu com a retirada da deputada estadual Débora Menezes e sua substituição por uma figura considerada desconhecida no comando do PL Mulher em Manaus.
A substituição da deputada por uma figura sem mandato político chamou a atenção de observadores políticos.
A nova nomeada, Raissa Cavalcante, filha do deputado federal Alberto Neto (PL), trouxe consigo questionamentos sobre sua experiência política e sua capacidade de representar efetivamente os interesses das mulheres no âmbito partidário.
Por sua vez, os líderes do PL-AM defendem a decisão. “Estamos entusiasmados em unir forças para fortalecer a participação das mulheres na política e promover a igualdade de gênero em nossa cidade, defendendo nossos pilares fundamentais: Deus, pátria, família e liberdade.”, diz publicação do partido.
Observadores políticos também questionam se a substituição abrupta de uma figura política estabelecida é realmente o melhor caminho para alcançar tais objetivos.
Enquanto isso, Débora Menezes ainda não se pronunciou publicamente sobre o ato. O Coronel Alfredo Menezes classificou a mudança como “uma covardia com quem sempre honrou o PL” e destacou que sua filha foi destituída do cargo sem aviso prévio e enquanto estava ausente do país. Na semana passada, Débora integrou uma comitiva composta por deputados brasileiros de direita que embarcou para a Europa para denunciar alegadas violações às liberdades promovidas pelo Judiciário e pelo governo brasileiro.
Em uma rede social, Raissa Cavalcante se apresenta como “Idealizadora do Movimento Jovens por Manaus. Deus, Pátria, Família e Liberdade.”
O que é o PL Mulher
O PL Mulher busca fortalecer o movimento feminino na política, aumentando a participação e representatividade das mulheres. Identifica e apoia candidatas, visando criar leis que reduzam desigualdades sociais e promovam uma sociedade mais justa.
Coronel Menezes
No mês passado, o Coronel Alfredo Menezes oficializou sua saída do Partido Liberal (PL), destacando que o partido no Amazonas, sob o comando de Alfredo Nascimento, não reflete os valores da direita. O PL lançou oficialmente a pré-candidatura de Alberto Neto à prefeitura de Manaus, porém sem o Coronel Menezes como pré-candidato a vice-prefeito. O compadre de Bolsonaro, buscando uma nova filiação partidária após o veto de Nascimento, se aproximou do grupo governador Wilson Lima. Ele se filiou ao Partido Progressistas e assumiu o diretório municipal da legenda na capital.
Menezes se mantinha no PL devido a uma liminar judicial, e a falta de solicitação do partido para suspender sua expulsão indica que a suposta “união da direita” foi apenas uma estratégia para ganhar tempo.
O político acionou as esferas judicial e administrativa, no final de agosto do ano passado, contestando a decisão da Comissão Municipal do PL de expulsá-lo da sigla após desentendimentos com o Alberto Neto, o presidente municipal da legenda.