Denúncias apontam que dinheiro público se transformou em negócio familiar na gestão de David 

Denúncias apontam que dinheiro público pode estar sendo usado para beneficiar familiares do prefeito David Almeida em Manaus.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O princípio da impessoalidade é um dos pilares da administração pública, estabelecendo que as ações do governo devem ser realizadas em benefício da coletividade, sem favorecimentos pessoais ou vínculos familiares. Esse princípio busca garantir que a gestão pública seja transparente, ética e isenta de interesses privados. No entanto, a gestão do prefeito David Almeida (Avante), que busca a reeleição, tem sido marcada por indícios de que esse princípio foi esquecido, especialmente conforme apontado pela oposição.

A oposição tem levantado questões sobre a maneira como a gestão de Almeida tem se aproximado de seus familiares em contratos públicos. Casos notórios incluem os pagamentos recebidos por Izabelle Fontenelle, noiva do prefeito, que recebeu cerca de R$ 1,2 milhão de empresas com contratos firmados pela Prefeitura. Entre essas empresas estão a DNA Digital Comunicação Ltda. e a The Set Filmes, levantando suspeitas sobre o uso de recursos públicos para beneficiar familiares em vez de atender às necessidades da população.

Empresa que recebe da prefeitura de Manaus pagou R$120 mil à noiva de David, revela Estadão

Adicionalmente, a sogra do prefeito, Lidiane Oliveira Fontenelle, foi identificada como proprietária da L O F Fênix, a qual emitiu notas fiscais que somam R$ 124 mil em serviços prestados a uma construtora com contrato de R$ 65 milhões com a Prefeitura. A intersecção entre a gestão de Almeida e sua família se intensifica, colocando em xeque a observância do princípio da impessoalidade.

Outro episódio alarmante é o caso da Leo Rent a Car, que firmou contratos com a Prefeitura em setembro de 2023 somando R$ 71 milhões. O primeiro contrato, no valor de R$ 20,7 milhões, foi firmado com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), e o segundo, de R$ 50,4 milhões, com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), chefiada pela irmã do prefeito, Dulce Almeida. Essa proximidade entre a gestão e empresas com vínculos familiares suscita sérias preocupações sobre a impessoalidade na administração pública.

A Prefeitura de Manaus também gastou R$ 2,4 milhões em contratos com a empresa Eleven da Amazônia, contratada para fornecer veículos em regime emergencial, sem licitação. Controlada por Edgard Lima Cordeiro, primo do genro do prefeito David Almeida, a empresa levanta suspeitas de favorecimento.

Críticas em debate eleitoral

Nesta terça-feira (1/10), durante debate eleitoral promovido pela TV Acrítica, o candidato Amom Mandel (Cidadania) não hesitou em criticar a falta de transparência na gestão de Almeida. Mandel afirmou que a atual administração está utilizando verbas do FUNDEB para pagamentos a empresas que, por sua vez, beneficiam a sogra e a noiva do prefeito. “Vimos ali notícias da imprensa nacional mostrando o uso das verbas do FUNDEB para pagar empresas que depois pagaram a sogra ou a noiva do prefeito de Manaus”, destacou.

Noiva de David recebeu ‘salários’ de empresa contratada pela Semed da irmã do prefeito

Essas declarações refletem a indignação da oposição e a necessidade de uma gestão mais ética e responsável, que priorize o bem-estar da população em vez de interesses pessoais ou familiares.

CPI da Terceirização e obstruções

A situação se agravou com a instalação da CPI da Terceirização, que buscava investigar essas práticas suspeitas, mas que foi interrompida por uma decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas. A suspensão da sessão que estava prevista para ouvir Izabelle e Lidiane Fontenelle foi um golpe na busca por transparência. O relator da CPI, Rodrigo Guedes (PP), lamentou a situação, afirmando que a base do prefeito estava obstruindo as investigações.

“É muito triste saber que não podemos investigar simplesmente porque a base do prefeito não permitiu”, afirmou, referindo-se à ação judicial movida por aliados do prefeito que bloquearam a continuidade das investigações.

O caso Jack Serafim

Outro episódio que exemplifica a falta de impessoalidade na gestão de Almeida é o caso de Jack Serafim, ex-titular da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom). Serafim, que foi subsecretário antes de sua nomeação, tem laços diretos com a Comando Digital, empresa de sua esposa, que recebeu R$ 300 mil em contratos da Semcom. As alegações de que ele estaria utilizando seu cargo para beneficiar a própria empresa levantam sérias questões sobre ética e imparcialidade.

Dossiê aponta pagamentos suspeitos à empresa da esposa de ex-secretário da Semcom

A gestão de David Almeida tem sido alvo de críticas em relação ao cumprimento do princípio da impessoalidade, com diversos casos que sugerem a priorização de interesses familiares em detrimento das necessidades públicas.

Carregar Comentários