MPAM promove evento para conscientizar sobre os impactos da corrupção nos direitos do cidadão

Evento do Ministério Público do Amazonas busca conscientizar sobre os impactos da corrupção nos direitos dos cidadãos.
Redação O Poder
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“A corrupção tem duas faces, uma real e uma por trás disso, comprometendo diretamente a ética e a moral da sociedade. E é apenas por meio da educação que se pode fazer as pessoas da própria sociedade entenderem que, para que a gestão pública e o próprio Estado de Direito funcionem adequadamente, é necessário que todos contribuam para existir um controle sobre as gestões públicas melhores”. A fala é do promotor de Justiça Edinaldo Aquino Medeiros, na abertura do evento “Como a corrupção afeta os direitos do cidadão”.

Iniciativa do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por intermédio do Centro de Apoio Operacional de Proteção aos Direitos Constitucionais do Cidadão (CAO-PDC), em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), o encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira (05/12), no auditório Gebes de Mello Medeiros. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre o Dia Internacional Contra a Corrupção, celebrado no dia 9 de dezembro.

De acordo com o promotor de Justiça Edinaldo Aquino, idealizador do evento, é necessário que todos analisem os impactos da corrupção pública e também da corrupção de forma geral na sociedade, discutindo as formas como a corrupção interfere tanto na execução das políticas públicas quanto no âmbito do direito do cidadão. Segundo ele, esse problema ocasiona a escassez dos serviços e a falta de recursos para áreas essenciais para todos, como saúde, educação e segurança pública.

Somente em 2024, o MPAM registrou 297 denúncias envolvendo dano ao erário, distribuídas entre as seis promotorias que integram o CAO-PDC. Nesses casos, o Ministério Público trabalha inicialmente na apuração das demandas e, posteriormente, na expedição de recomendações, ações civis públicas ou coletivas e ações de improbidade administrativa em casos mais extremos. Como exemplos, o promotor de Justiça citou os casos recentes nos municípios de Maraã, onde a Promotoria de Justiça investiga supersalários, e Fonte Boa, que apura a suspensão dos serviços públicos essenciais.

Palestras

A programação teve início com a apresentação do controlador-geral do Estado Jeibson dos Santos Justiniano, que expôs a importância do amplo ecossistema institucional de controle de gastos públicos, inaugurado pela Constituição Federal de 1988 e instituído sobre três pilares:
Transparência – Não é possível ter controle e conhecimento sobre os gastos públicos sem transparência. De acordo com o controlador-geral, a Lei de Acesso à Informação, lançada em 2011, permitiu um grande avanço com a obrigatoriedade dos Portais da Transparência na administração pública.
Ouvidoria Pública – Em 2013, deixou de ser apenas uma ferramenta de controle interno e se tornou o principal canal de comunicação instituído pela Constituição na anonimização das denúncias, com participação efetiva da sociedade no controle da gestão pública.
Controle Interno Administrativo – Instalação contínua de medidas de controle, como investigação civil, criminal e financeira, para garantir a boa eficiência dos órgãos e evitar gastos desnecessários.

De acordo com o controlador-geral, o combate à corrupção não pode se limitar à transparência. É necessário mudar a cultura participativa da gestão pública, fomentando debates sobre o assunto não apenas em datas específicas, mas diariamente, por meio de audiências públicas.

“Encontros como este, portanto, são uma boa oportunidade para refletirmos como sociedade civil organizada sobre qual é o nosso papel frente a esse flagelo. Mais do que isso, sobre quais são as fórmulas e instrumentos mais eficazes para combatê-lo. Cada um de nós, com sua experiência e conhecimento, tem muito a contribuir para esse projeto, cujo sucesso vai depender, obviamente, do grau de nosso comprometimento”, comentou o controlador-geral.

De acordo com ele, o livro “Era dos Direitos”, de Norberto Bobbio, retrata que as regras existentes no sistema jurisdicional atualmente são excludentes, pois a obra apenas regula os instrumentos de execução dos direitos fundamentais para garantir o enfrentamento de todas as mazelas da sociedade. “O sistema funciona, tem suas dificuldades, mas é capaz de influenciar a mudança da cultura de comportamento da gestão pública. Desde a redemocratização, nós tivemos dois processos de impeachment, que podem ter sido considerados mal utilizados, mas mostraram que não apenas existem, como podem ser efetivados”, afirmou o controlador-geral.

O evento seguiu com uma palestra sobre ética e corrupção, ministrada pelo procurador de Justiça do MPAM, Públio Caio Bessa Cyrino, que mencionou que o Brasil é signatário de duas convenções internacionais de combate à corrupção, na comissão da organização das Nações unidas e na Comissão dos Direitos Interamericanos. Segundo ele, o país conta com uma estrutura funcional que permite a reparação de atos ilícitos, mas as práticas de corrupção só diminuirão com a mudança em nossos hábitos pessoais em detrimento da chamada “cultura de vantagens”.

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