Alta do dólar supera pico da crise de 2015 e gera preocupação econômica

Dólar atinge patamar que supera pico da crise de 2015, gerando preocupações sobre os rumos da economia brasileira.
Redação O Poder
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Embora o dólar esteja distante de seu recorde histórico em termos reais, considerando a inflação, sua cotação atual ultrapassa os picos registrados durante a crise econômica de 2015 e 2016, que culminou no impeachment de Dilma Rousseff.

Em setembro de 2015, o dólar nominal alcançou R$ 4,1450. Ajustado pela inflação dos Estados Unidos (CPI) e do Brasil (IPCA), esse valor equivale hoje a R$ 5,08, enquanto a cotação atual é de R$ 6,19. Já em janeiro de 2016, o pico nominal de R$ 4,1660 corresponde a R$ 4,92 em valores corrigidos.

A valorização do dólar foi mais expressiva no período de 2015-2016, quando a moeda subiu 62%, contra um aumento de 25% registrado em 2024. Segundo economistas, essa alta reflete dificuldades fiscais e o crescente endividamento público.

Entre 2015 e 2016, o Brasil enfrentou sua pior recessão, com quedas consecutivas do PIB. Apesar de o crescimento econômico ter sido retomado em 2023 e 2024, com taxas acima de 3%, a dívida pública bruta continua a crescer. Em outubro de 2024, a relação dívida/PIB alcançou 77,8%, com projeções de piora nos próximos anos.

Especialistas avaliam que o dólar mais caro em termos reais atualmente reflete um cenário de estresse no mercado, agravado por fatores externos, como a valorização global da moeda americana e a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA, que aumentaram as expectativas de juros altos e crescimento nos Estados Unidos.

Projeções do mercado indicam que o dólar pode ultrapassar R$ 7, caso não haja cortes significativos nos gastos públicos e ações que restabeleçam a confiança fiscal. No entanto, há divergências sobre o rumo da cotação. Enquanto alguns economistas preveem alta contínua, outros acreditam que a valorização atual está descolada dos fundamentos econômicos.

A expectativa é que a condução das políticas econômicas nos próximos meses seja determinante para o futuro do câmbio e da economia brasileira.

Com informações da Folha de São Paulo 

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