Celso Amorim, assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais, afirmou em entrevista à CNN que o Brasil “cumpre o ritual diplomático de relação entre Estados” ao manter a decisão de enviar a embaixadora do país na Venezuela, Glivânia Oliveira, para a posse de Nicolás Maduro.
“Glivânia Oliveira está em Caracas, à frente do posto”, disse explicando a decisão de manter a presença da diplomata na cerimônia que marca o início de um novo mandato de Maduro, contestado por setores da oposição venezuelana.
Inicialmente, o Brasil chegou a reavaliar a participação da embaixadora no evento, previsto para esta sexta-feira (10), após a oposição venezuelana denunciar a prisão de uma de suas principais líderes, María Corina Machado, durante um protesto em Caracas na tarde de quinta-feira (9).
Fontes da diplomacia brasileira destacaram a necessidade de entender melhor a situação no país, com alguns avaliando que a versão dos acontecimentos ainda estava “mal contada” e que a oposição poderia estar tentando chamar a atenção dos Estados Unidos, que empossará Donald Trump no próximo dia 20.
A decisão de não enviar um representante hierarquicamente superior à embaixadora foi uma escolha pragmática do Brasil, visando demonstrar seu descontentamento com a falta de transparência no processo eleitoral da Venezuela. No entanto, o Itamaraty reafirma que não há intenção de romper as relações diplomáticas com o país vizinho.
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