A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) destinou pelo menos US$ 44,8 milhões (aproximadamente R$ 267 milhões) para ONGs, instituições e projetos no Brasil entre 2023 e 2024, conforme dados do governo americano. O montante, que pode ser ainda maior, levanta questionamentos sobre a influência da entidade em questões políticas e eleitorais do país. A atuação da Usaid está no centro de uma polêmica internacional e pode ser reestruturada pelo presidente Donald Trump, que acusa a agência de financiar programas considerados prejudiciais a governos de direita.
O ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Michael Benz, afirmou que a Usaid operou como um “mecanismo de influência política” para interferir na eleição presidencial de 2022 no Brasil, desfavorecendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Benz, a entidade financiou iniciativas de monitoramento de informações e restrição de conteúdos favoráveis a Bolsonaro, em colaboração com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar da gravidade das acusações, não foram apresentadas evidências concretas.
A ligação entre a Usaid e a censura nas redes sociais no Brasil também se tornou foco de críticas, principalmente após o bloqueio temporário da plataforma X pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. O próprio dono da rede social, Elon Musk, agora parte da administração Trump, chamou a agência de “ninho de víboras” e defendeu sua extinção.
O financiamento da Usaid também alcançou setores polêmicos, como projetos ligados a pautas LGBTQ+, aborto, diversidade e ativismo digital com viés ideológico. Relatórios apontam que organizações beneficiadas pela verba atuam em regiões de demarcação de terras indígenas e em iniciativas de combate à desinformação, o que levanta suspeitas sobre possíveis ingerências estrangeiras. Apenas uma organização que trabalha em territórios indígenas recebeu cerca de US$ 4 milhões no último ano.
Diante das revelações, os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO) passaram a articular uma CPI para investigar as supostas interferências da Usaid nas eleições brasileiras. “Transparência e soberania não podem ser negociadas”, declarou Eduardo Bolsonaro.
A pressão sobre a Usaid cresce nos EUA. O governo Trump congelou repasses da agência e estuda integrá-la ao Departamento de Estado. O próprio Trump afirmou que a Usaid “está tomada por radicais de esquerda” e que a lista de ONGs financiadas pela agência no Brasil será revelada “em momento oportuno”. Enquanto isso, o Congresso americano debate a extinção da entidade, que, em 2023, distribuiu US$ 35,4 bilhões a projetos globais.
A polêmica promete se intensificar, principalmente com o avanço da CPI no Brasil e as mudanças na administração americana. O caso reacende o debate sobre soberania nacional e transparência no financiamento de entidades que operam no país com apoio externo.