A entrada da Advocacia-Geral da União (AGU) na defesa do ministro Alexandre de Moraes, em um processo movido nos Estados Unidos envolvendo a plataforma Rumble e o ex-presidente Donald Trump, tem gerado intensos debates entre autoridades e especialistas. A principal estratégia por trás dessa atuação é adiar uma possível decisão desfavorável à Moraes, uma vez que um julgamento rápido e “à revelia” poderia resultar em uma sentença imediata e prejudicial ao ministro.
A repercussão do caso foi ampliada por jornalistas e influenciadores, especialmente de veículos como a Globo, que têm buscado desacreditar figuras independentes, como Allan dos Santos e Paulo Figueiredo. A postura da emissora foi questionada, já que tem estreitos vínculos com o gabinete de Moraes, o que a colocou em uma posição delicada ao tentar desqualificar a ação de Trump contra a Rumble.
De acordo com o advogado Anderson Fonseca, a atuação da AGU não visa vencer a ação, mas sim postergar seus efeitos e evitar uma decisão imediata que poderia fortalecer os críticos de Moraes. Ele explicou que a AGU, conforme a Lei 9.028 de 1995 e a Portaria nº 428 de 2019, tem a responsabilidade de representar judicialmente servidores federais, incluindo os membros dos três poderes, em situações emergenciais e provisórias. No entanto, Fonseca destacou que a AGU só pode atuar em defesa do interesse público e não pode se envolver em questões privadas de servidores ou ministros, que devem contratar advogados particulares para essas situações.

Sobre a ação nos Estados Unidos, Fonseca observou que a AGU pode atuar se a causa envolver uma questão pública ou a defesa do ministro enquanto representante da mais alta corte do Brasil. No entanto, ele ainda não foi capaz de confirmar se a ação tem caráter público ou privado, o que precisa ser analisado com mais profundidade.
O advogado e político Chico Preto também comentou sobre a atuação de Moraes, afirmando que suas decisões têm ultrapassado os limites legais e se transformado em um problema político. Ele destacou que as medidas adotadas pelo ministro estão comprometendo direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, e que o Brasil tem enfrentado questionamentos internacionais sobre essas decisões. Chico também afirmou que a falta de autocontrole no Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado um desequilíbrio institucional, afetando a democracia do país. Além disso, ele criticou a omissão do Conselho Federal da OAB diante dessas questões.

O advogado de Donald Trump, Martin De Lucca, sugeriu que a cobertura da Globo poderia ser utilizada como prova no processo, o que traria grandes implicações para Moraes, o governo brasileiro e até para a própria emissora. Isso gerou a expectativa de que os advogados de Trump terão grandes chances de vitória, mas o foco da AGU continua sendo adiar o andamento do caso, evitando uma decisão liminar que fortaleça os críticos de Moraes.
Para analistas, a solução para a situação não está nas ações nos Estados Unidos, mas no papel do Senado brasileiro, que poderia desempenhar um papel fundamental na resolução dessa crise institucional.
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