O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputado Soldado Sampaio (Republicanos), afirmou que a exoneração de Cecília Lorenzon da Secretaria de Saúde (Sesau) representa uma conquista para a população, mas não encerra a crise no setor nem o trabalho de fiscalização do Legislativo.
“A exoneração traz esperança de mudanças, mas isso não significa o fim do nosso compromisso com a transparência e a responsabilização. Continuaremos investigando os danos causados à população e aos cofres públicos, garantindo que os culpados sejam punidos”, declarou Sampaio durante a sessão desta terça-feira (25).
Com a mudança, a então secretária adjunta, Adilma Rosa, assumiu o cargo. Sampaio disse confiar na experiência da nova gestora, mas alertou sobre a necessidade de independência.
“Ela precisa de tempo para organizar a casa, e em breve a convidaremos para dialogar. Queremos discutir soluções urgentes, como o pagamento dos médicos, a regularização da hemodiálise, o fornecimento de medicamentos e a redução das filas para cirurgias”, pontuou.
O parlamentar manifestou preocupação com uma possível influência de Lorenzon na nova gestão. “Se isso ocorrer, Adilma não terá sucesso. Seguiremos vigilantes para garantir que os interesses empresariais e políticos que prejudicaram a Saúde não persistam”, reforçou.
Investigação continua
Na semana passada, Sampaio cobrou a exoneração da ex-secretária, apontando irregularidades na pasta e dando prazo até esta terça-feira para que o governador Antonio Denarium (PP) tomasse providências. O pedido foi reforçado pelo presidente da Comissão de Saúde da ALE-RR, Dr. Cláudio Cirurgião (União Brasil), e pelo primeiro-vice-presidente da Casa, Jorge Everton (União Brasil), que sugeriram um processo de impeachment caso ela continuasse no cargo.
Com a exoneração confirmada, o pedido de impeachment perdeu sentido, mas as investigações seguem. “Temos denúncias graves colhidas pela Comissão de Saúde e anexadas a relatos da Promotoria de Saúde, médicos e ex-servidores. Encaminharemos esses documentos ao Tribunal de Contas (TCE-RR) e ao Ministério Público (MPRR), reafirmando nosso compromisso com a transparência e a boa gestão da saúde pública”, afirmou Sampaio.
Denúncias contra Cecília Lorenzon
Entre as irregularidades atribuídas à ex-secretária estão:
- Cobrança de propina na contratação da Clínica Renal;
- Indícios de fraude e favorecimento ilícito na licitação da Medtrauma, empresa investigada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU);
- Suspeitas de irregularidades no pagamento e concessão de Tratamento Fora do Domicílio (TED);
- Superfaturamento na prestação de serviços de hemodiálise à beira-leito em Rorainópolis;
- Conduta autoritária para enfraquecer a resistência dos servidores contra a terceirização;
- Falta de transparência na contratação de empresas terceirizadas;
- Violação da legalidade e probidade administrativa;
- Conluio entre servidores da Sesau e empresas contratadas.
O deputado Dr. Cláudio Cirurgião afirmou que Lorenzon tinha interesse direto em empresas que prestavam serviços à Saúde. “Ela não queria apenas propina, queria se tornar sócia de várias empresas que prestam serviço ao Executivo”, denunciou.
Críticas à nova nomeação
Após ser exonerada da Sesau, Cecília Lorenzon foi nomeada para a Secretaria de Estado de Governo Digital (Segod), o que gerou críticas de parlamentares.
Sampaio classificou a nomeação como um erro estratégico, enquanto o deputado Jorge Everton criticou a prática de realocação de gestores investigados.
“Não podemos aceitar que uma secretária com tantas denúncias simplesmente seja transferida para outra pasta. Isso é uma vergonha para Roraima, para o governo e um tapa na cara do Ministério Público e da Assembleia Legislativa”, declarou Everton.
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