Durante o recesso de Carnaval, a base aliada do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), liderada pelo vereador Eduardo Alfaia (Avante), promoveu uma manobra na Câmara Municipal, alterando a ordem do dia e impedindo que fossem discutidas questões como as alagações na cidade e a viagem do prefeito ao Caribe. A inversão da pauta, aprovada pela base aliada, priorizou a votação de projetos e requerimentos, deixando de lado os pronunciamentos críticos dos vereadores.
O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) foi um dos que se opuseram à manobra. Ele considerou a inversão uma tentativa de silenciar as críticas sobre a gestão do prefeito. “Votei contra a inversão da pauta e tivemos outros 4 ou 5 votos contrários. A manobra foi feita para não termos pronunciamentos”, afirmou Guedes, que também havia apresentado um requerimento solicitando investigação sobre a viagem do prefeito, mas a votação não ocorreu.
O vereador Zé Ricardo (PT) também se manifestou sobre o tema, destacando a necessidade de transparência nas ações públicas e nas gestões municipais, especialmente em relação aos recursos públicos.
O Coronel Rosses (PL) criticou a postura de alguns colegas de base, cobrando mais explicações sobre os recentes acontecimentos na cidade. Ele frisou a importância de discutir as falhas na infraestrutura, como os deslizamentos e alagamentos que afetaram diversas áreas de Manaus.
Por outro lado, Eduardo Alfaia, líder da base do prefeito, defendeu a manobra que alterou a ordem do dia, justificando que a votação de projetos como o da habitação era mais urgente e importante. “A inversão da ordem do dia foi necessária para garantir a celeridade dos projetos que estamos votando hoje”, afirmou Alfaia, alegando que a sessão não deveria ser usada para discussões políticas que poderiam ser tratadas em outro momento.
A sessão na Câmara Municipal seguiu marcada por discursos em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que se estenderam por mais de uma hora, e pausas longas para votação de pareceres de projetos simples. Quando a sessão retornou, já no final da manhã, a votação dos requerimentos, incluindo o de investigação sobre a viagem do prefeito, foi adiada, o que gerou críticas de vereadores da oposição.
No final, a sessão foi encerrada sem a votação de importantes requerimentos e sem que houvesse espaço para pronunciamentos dos vereadores sobre as questões urbanas e a viagem do prefeito ao Caribe, ficando clara a tentativa da base aliada de blindar o prefeito das cobranças.
Leia mais: Vereadores acusam má gestão e cobram soluções imediatas após alagamentos em Manaus