O ex-presidente do partido Avante no Amazonas, Davi Lima da Silva — conhecido como “Davi dos Feirantes” — protocolou uma representação com pedido de cassação dos mandatos dos vereadores Coronel Rosses e Sargento Salazar, ambos do PL, na Câmara Municipal de Manaus (CMM). O documento, assinado por Davi na qualidade de presidente do Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus, acusa os parlamentares de quebra de decoro parlamentar e conduta truculenta durante uma ação da Prefeitura de Manaus na Feira da Banana.
O que chama atenção é o histórico de Davi dos Feirantes. Figura conhecida no meio político e sindical, ele já foi preso em 2019 por envolvimento em um esquema de extorsão contra feirantes, junto com cinco policiais militares. À época, segundo a investigação da Polícia Civil do Amazonas, Davi teria ajudado os PMs a abordar um comerciante e exigir R$ 50 mil sob falsa acusação de transporte de mercadoria irregular. A prisão foi decretada pelo juiz Carlos Henrique Jardim da Silva.
Além disso, em 2015 e novamente em 2024, Davi foi acusado de agressão a feirantes na Manaus Moderna. A mais recente agressão foi registrada por câmeras de segurança e viralizou nas redes sociais, mostrando o momento em que ele desfere um tapa no rosto de um trabalhador.
Mesmo com esse passado, Davi assinou a representação que pede a cassação dos vereadores Rosses e Salazar por suposto abuso de autoridade ao intervirem em uma ação da Secretaria Municipal de Agricultura (Semacc), que tentava retomar um box alugado de forma irregular. Segundo o sindicato presidido por Davi, os vereadores agiram de forma agressiva e teriam até levado pessoas armadas ao local.
O documento cita como justificativa uma possível quebra de decoro parlamentar, e compara o caso ao do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que enfrentou um processo de cassação após agressão. Davi alega que, se não tomar providências, a Câmara poderá “passar recibo” de conivência com ilegalidades.
Davi dos Feirantes foi candidato a deputado federal pelo Avante em 2018, mas não se elegeu. Ele presidiu o diretório estadual do partido entre 2017 e 2019, mesmo período em que foi preso, e continua próximo do prefeito de Manaus, David Almeida, atual líder do Avante no Amazonas — o mesmo prefeito frequentemente criticado no plenário por Rosses e Salazar.
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