O Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus protocolou uma representação com pedido de providências na Câmara Municipal de Manaus (CMM) contra os vereadores Coronel Rosses e Sargento Salazar, ambos do Partido Liberal (PL). No documento, a entidade sindical solicita a apuração de condutas que possam configurar quebra de decoro parlamentar e pede, inclusive, a cassação dos mandatos dos dois parlamentares.
A representação foi assinada por David Lima da Silva, conhecido como Davi dos Feirantes, presidente do sindicato e ex-presidente do partido Avante, legenda do atual prefeito de Manaus, David Almeida, que tem sido alvo recorrente das críticas feitas por Rosses e Salazar no plenário da Câmara.
O episódio que motivou o pedido ocorreu no último dia 25 de março, na Feira Municipal da Banana. Segundo o sindicato, os vereadores agiram de forma truculenta ao tentar impedir uma ação legal da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc), que visava retomar um box alugado irregularmente — prática proibida pela Lei Municipal nº 123/2004 e pela nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021).
De acordo com a denúncia, os parlamentares teriam agredido fisicamente o assessor jurídico da secretaria e verbalmente ofendido servidores públicos e feirantes. Há também relatos de que os vereadores estavam acompanhados de pessoas armadas, o que teria causado pânico entre os presentes.
No documento, o sindicato afirma que as ações dos vereadores foram “ilegais e incompatíveis com suas prerrogativas parlamentares”, e cita como exemplo o caso do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), cuja cassação foi recomendada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados após agressão a um cidadão.
Davi dos Feirantes sustenta que se a CMM não tomar providências, corre o risco de “passar recibo” de conivência com práticas que violam as leis municipais e a Constituição. Ele afirma ainda que atitudes como as de Rosses e Salazar não condizem com o papel de um parlamentar eleito para fiscalizar com responsabilidade e respeitar o Estado de Direito.
O caso agora deve seguir para análise do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Manaus, que decidirá se abre ou não processo contra os dois vereadores.
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