A candidata a vereadora Jakeline de Souza, da Federação Brasil da Esperança – composta por PT, PCdoB e PV –, protestou nesta quarta-feira (14/5) em frente à Câmara Municipal de Manaus (CMM) após ser alvo de ação judicial que investiga possível fraude na cota de gênero nas eleições municipais de 2024. O pedido foi protocolado por Cícero Pereira e sustenta que a candidata seria uma “laranja”, tendo registrado apenas seis votos, sem participação efetiva na campanha ou movimentação financeira.
De acordo com o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), a federação cumpriu o percentual mínimo exigido de candidaturas femininas ao apresentar uma chapa com 25 homens e 14 mulheres. No entanto, o MPE afirma que Jakeline não realizou atos de campanha, não declarou despesas e teria usado seu canal no YouTube, “Lei do Povo”, para promover interesses pessoais, sem relação com a candidatura.
Jakeline, no entanto, nega as acusações e sustenta que sua campanha foi autêntica e baseada na ideia de “democracia direta”, sem uso de recursos financeiros. “A primeira questão mais importante é que eu sou contra dinheiro em campanha. O dinheiro está ganhando as eleições e isso está fazendo muito mal”, disse. Ela declarou que trabalha há 14 anos de forma voluntária e que entrou no Partido Verde exclusivamente para concorrer ao cargo.
Ela afirmou ainda que utilizou o canal “Lei do Povo” como principal ferramenta de campanha, com conteúdos alinhados às suas propostas políticas. “O canal se chama Lei do Povo, é o mesmo nome da minha candidatura. Absolutamente tudo no canal está comprometido com o que defendo”, rebateu, acrescentando que não divulgou o link da página ao TSE por ser contrária ao uso das redes sociais da forma como são feitas atualmente.
Jakeline também refutou a acusação de inatividade durante o pleito: “Eu fiz campanha. Eu fui até as pessoas, inclusive fui acusada de campanha irregular. Fiz boca a boca, junto com as pessoas, de uma maneira diferenciada. Eu não tinha santinho porque envolvia dinheiro de campanha”, justificou.
A candidata destacou sua trajetória acadêmica e seu trabalho social como base de sua atuação política. “Eu fui pesquisadora do Inpa, sou doutora em Antropologia, mestre em Educação pela Ufam. Tenho uma trajetória seríssima de envolvimento”, afirmou.
Ela também se disse preocupada com o risco de inelegibilidade por oito anos e defendeu os dois candidatos eleitos pela federação. “Eu estou em defesa dos candidatos eleitos, do José Ricardo e do Jair. Essa ameaça de comprometer a vida deles é o que mais me desespera.”
A ação ainda será julgada pela Justiça Eleitoral. Jakeline promete continuar sua luta por uma política mais acessível e sem recursos financeiros: “A gente precisa mudar esse cenário e é em defesa disso que eu me posiciono.”
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