O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) apontou falhas graves nas justificativas apresentadas pelo prefeito David Almeida (Avante) sobre a viagem realizada ao Caribe durante o período de Carnaval. Segundo relatório do órgão, não houve comprovação adequada da origem dos recursos utilizados, além da identificação de indícios de uso indevido de verbas públicas e possível enriquecimento ilícito.
Dois recibos foram apresentados pela Prefeitura de Manaus, somando cerca de R$ 30 mil, mas os documentos foram considerados vagos, relacionados apenas a “upgrades” e trechos de passagens aéreas.
Durante uma entrevista, realizada nesta sexta-feira (23), David Almeida demonstrou irritação ao ser questionado sobre o caso. “É uma entrevista coletiva, tu quer uma entrevista exclusiva?”, respondeu a uma jornalista, antes de tentar desviar o foco da pergunta questionando sobre quem estaria ligando para ela.
Ao ser pressionado sobre os gastos e a relação com a empresa Royal Tech, envolvida na investigação, limitou-se a afirmar: “Eu dei as explicações necessárias e acredito que são suficientes para esclarecer a situação”.
A viagem ao Caribe que gerou suspeitas
A polêmica viagem do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao Caribe ocorreu durante o período do Carnaval de 2024. À época, imagens e vídeos do prefeito em praias da região começaram a circular nas redes sociais, gerando questionamentos da população e da imprensa sobre os custos e a natureza da viagem.
O caso ganhou maior repercussão após a revelação de que David Almeida esteve acompanhado de empresários que possuem contratos milionários com a Prefeitura de Manaus. Entre eles, estão Paulo Montenegro, dono da empresa de publicidade Grafisa, e José Curcino Monteiro Lopes, proprietário das empresas Murb e Rio Piorini — ambos padrinhos de casamento do prefeito.
A Prefeitura alegou, inicialmente, que a viagem foi de caráter pessoal e custeada com recursos próprios. No entanto, os documentos apresentados não esclareceram adequadamente a origem dos valores nem os detalhes das despesas. O TCE-AM apontou recibos vagos no valor de cerca de R$ 30 mil, referentes apenas a “upgrades” e trechos de passagens, o que levantou suspeitas sobre um possível uso indevido de dinheiro público.
Além disso, veio à tona que a empresa Royal Tech, citada como sem relação com a gestão municipal, na verdade recebeu mais de R$ 7 milhões da Prefeitura entre 2020 e 2025, o que aumentou a pressão por esclarecimentos.
Agora, com investigações em curso tanto pelo TCE-AM quanto pelo Ministério Público, o caso continua sendo um dos principais focos de atenção na política manauara.
Relações com empresas contratadas pela prefeitura
O relatório do TCE-AM também destaca possíveis vínculos entre o prefeito e empresários com contratos milionários com a Prefeitura de Manaus. A construtora Royal Tech, citada pela defesa como sem vínculos com a gestão, recebeu mais de R$ 7 milhões em prorrogações contratuais entre 2020 e 2025. Além disso, David Almeida foi visto durante a viagem acompanhado de empresários que têm contratos que somam mais de R$ 140 milhões com o município.
Denúncia e apuração em curso
A denúncia sobre a viagem foi protocolada por um vereador da oposição, o que levou o TCE-AM a conceder prazo de cinco dias para que a Prefeitura de Manaus apresentasse esclarecimentos formais. Paralelamente, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) também abriu investigação para apurar o caso.
Se forem confirmadas as irregularidades, David Almeida poderá ser responsabilizado administrativa e judicialmente, com risco de sanções, incluindo a cassação do mandato.