Cesar de Jesus, um dos três homens presos pela Polícia Federal ao desembarcar em Brasília com mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo, afirmou em depoimento ser empresário e contratante da Prefeitura de Manaus. Segundo ele, parte do valor seria proveniente de um contrato de fornecimento de alimentos no valor de R$ 22 milhões com a administração municipal. No entanto, registros no Portal da Transparência indicam pagamentos de cerca de R$ 4,7 milhões à empresa dele, a Comercial CJ.
A prisão ocorreu na véspera da 26ª Marcha dos Prefeitos, evento que reúne gestores municipais na capital federal. Após audiência de custódia, os três detidos foram liberados, mas não podem deixar Brasília pelos próximos três meses e deverão usar tornozeleira eletrônica.
No depoimento à PF, Cesar alegou que viajou à capital para “olhar veículos e materiais” em Goiás, embora não soubesse especificar os locais. Ele declarou ainda que costuma transportar grandes quantias em espécie para facilitar pagamentos e conseguir descontos com fornecedores. Disse ter sacado R$ 400 mil naquela semana, mas a polícia encontrou mais de R$ 1,3 milhão com o grupo.
As investigações apontam suspeitas de lavagem de dinheiro e contratos fraudulentos com prefeituras do Amazonas. A PF afirmou que as empresas dos três suspeitos não têm funcionários registrados, não possuem estrutura física adequada e estariam registradas em endereços inexistentes. Dois dos investigados, inclusive, receberam auxílio emergencial durante a pandemia da covid-19.
O delegado responsável, Márcio Lima, afirmou que há indícios de que os recursos poderiam ser usados para o pagamento de propina a agentes públicos, mas os empresários negaram qualquer relação com corrupção. A Prefeitura de Manaus foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.