O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recuou da decisão de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) após forte pressão do Congresso Nacional. O recuo foi anunciado na noite deste domingo (8), após reunião com líderes partidários em Brasília.
Para reduzir os danos fiscais do recuo, Haddad apresentou um novo pacote de medidas que inclui o corte de isenções fiscais, taxação de títulos antes isentos — como LCI e LCA — e o aumento de tributos sobre apostas esportivas. A equipe econômica quer preservar parte da arrecadação inicialmente prevista com o decreto original, cuja alíquota do IOF deve ser reduzida em média 65%, o que representa uma perda de dois terços da receita estimada.
Entre as propostas, estão a tributação de juros sobre capital próprio e a criação de uma alíquota de 5% no Imposto de Renda para LCI e LCA, hoje isentas. Também entraram na pauta medidas impopulares como **cortes em deduções médicas no IR**, **maior taxação sobre fintechs** e **mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação**.
A decisão de Haddad foi tomada após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ameaçar colocar em votação um projeto que derrubaria o decreto. A pressão aumentou após o aviso ser feito em um evento com empresários.
Outro ponto polêmico que será revisto é a cobrança sobre o chamado “risco sacado”. Haddad prometeu apresentar uma nova proposta para esse item dentro de dez dias.
O novo plano do governo deve envolver uma PEC, um projeto de lei complementar e uma medida provisória. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutirá os detalhes com Haddad na próxima terça-feira (10). A Fazenda insiste que é necessário manter a arrecadação projetada para os próximos anos, mesmo com os ajustes.