Mauro Cid diz ao STF que “presenciou fatos, mas não participou” de tentativa de golpe

Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro afirma que presenciou fatos, mas negou envolvimento direto na tentativa de golpe de Estado
Redação O Poder
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O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (9), que presenciou “grande parte dos fatos” que levaram à acusação de tentativa de golpe de Estado, mas negou envolvimento direto nas articulações. Cid foi o primeiro a ser ouvido entre os oito acusados apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes do “núcleo crucial” da trama golpista investigada pela Polícia Federal.

Durante o interrogatório conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, Cid confirmou que assinou o acordo de delação premiada de forma voluntária e reafirmou declarações anteriores à PF, negando qualquer tipo de coação. “Foi uma linha investigativa e eu tinha uma outra visão do que tinha acontecido”, disse.

O militar também afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso à chamada “minuta do golpe” e chegou a editar o texto, retirando nomes de autoridades que seriam alvo de prisões, com exceção do ministro Alexandre de Moraes. “O resto foi concedido habeas corpus”, ironizou. Cid alegou, ainda, que o documento era genérico, sem detalhes sobre como a proposta seria executada, e que não houve comprovação de fraude eleitoral nos dados analisados pelas equipes envolvidas na apuração paralela à oficial.

Ao comentar sobre os áudios vazados à revista Veja, que o levaram novamente à prisão, Mauro Cid declarou que se tratavam de “desabafos para um amigo” e negou saber como os arquivos chegaram à imprensa. Ele afirmou também que os vários depoimentos prestados à Polícia Federal ocorreram a pedido dos investigadores, e não por iniciativa própria ou com o objetivo de acrescentar novas informações ao processo.

Segundo o delator, Bolsonaro “não teve ciência nem fez comentários” sobre uma possível organização dos atos golpistas antes do dia 8 de janeiro. O julgamento dos réus segue no STF ao longo da semana.

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