O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciou oficialmente nesta segunda-feira (16) seu período de férias, previsto para durar até o dia 22 de junho. Durante sua ausência, a condução da pasta ficará sob responsabilidade do secretário-executivo Dario Durigan, conforme publicado no Diário Oficial da União no início do mês.
A saída temporária de Haddad ocorre em meio à mobilização da Câmara dos Deputados para barrar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), anunciado em maio pelo governo federal como parte das estratégias para ampliar a arrecadação. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula a votação da urgência de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que visa sustar a medida ainda nesta segunda-feira (16).
Inicialmente, o ministro planejava tirar férias em julho, entre os dias 11 e 20, mas optou por antecipar o descanso diante da repercussão negativa do aumento do IOF e da crescente pressão do Congresso.
No último sábado (14), Hugo Motta esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio da Alvorada. Também participou do encontro o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e figura central nas articulações do centrão. Embora o tema oficial da conversa não tenha sido divulgado, interlocutores confirmam que a pauta envolveu diretamente a tentativa de derrubar o reajuste do IOF.
Por outro lado, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), negou a existência de uma crise entre o Executivo e o Legislativo. Segundo ele, há consenso entre os líderes partidários para votar, neste momento, apenas a urgência do PDL — sem decidir ainda sobre o conteúdo da proposta.
O Ministério da Fazenda anunciou o aumento do IOF com expectativa de arrecadar cerca de R$ 31,4 bilhões até 2026, sendo R$ 20 bilhões ainda este ano. Apesar do recuo parcial no mesmo dia do anúncio, a resistência entre parlamentares e setores econômicos persiste.
Desde maio, 42 propostas legislativas foram protocoladas com o objetivo de alterar ou anular as medidas da Fazenda — sendo 37 na Câmara e cinco no Senado. Dentre elas, 14 pedem a revogação completa do aumento do imposto.
A última tentativa de diálogo entre Executivo e Congresso ocorreu em 8 de junho, quando Haddad se reuniu com Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para negociar ajustes no texto original. Mesmo assim, o clima segue tenso.