Processo de cassação do governador de Roraima completa 10 meses parado no TSE

Processo de cassação do governador de Roraima completa 10 meses parado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar das acusações de abusos políticos e crimes ambientais.
Redação O Poder
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O processo de cassação do governador de Roraima, Antônio Denarium (PP), completa dez meses parado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no próximo dia 20 de junho. Denarium foi cassado quatro vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 — um recorde que supera a inelegibilidade dupla do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Denarium é acusado de usar a máquina pública para obter vantagens eleitorais, incluindo o uso eleitoral dos programas sociais “Cesta da Família” e “Morar Melhor”. O julgamento dos recursos, porém, está suspenso desde que o processo foi retirado da pauta do TSE.

Segundo a Revista Veja, além das acusações eleitorais, Denarium enfrenta suspeitas de envolvimento com grilagem de terras, favorecimento do garimpo ilegal e o extermínio de populações indígenas em Roraima, denúncias que ele nega.

No fim de 2024, o líder indígena Yanomami Davi Kopenawa entregou uma carta à ministra Cármen Lúcia denunciando o colapso humanitário e ambiental na região, citando crimes como garimpo ilegal, desmatamento, contaminação dos rios, tráfico de drogas e armas, e assassinatos de indígenas — muitos ligados a agentes públicos e pessoas próximas ao governador.

O Ministério Público Federal instaurou inquérito para investigar as declarações do governador que, em entrevista, afirmou que os indígenas “têm que se aculturar e não podem mais ficar no meio da mata, parecendo bicho”, fala considerada com potencial discriminatório.

A Hutukara Associação Yanomami repudiou as declarações e considera Denarium “cúmplice da tragédia” pela sua postura e por sancionar leis que favorecem o garimpo em terras indígenas e enfraquecem a fiscalização.

O julgamento de dois dos quatro processos contra Denarium e seu vice Edilson Damião teve início em agosto de 2024, mas foi suspenso logo após a leitura do relatório da ministra Izabel Gallotti, sem nova data para continuidade.

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