Janones critica Nikolas, mas votou por medida que pode encarecer energia

Deputados federais acusam-se mutuamente por votação que pode aumentar a conta de luz dos brasileiros.
Redação O Poder
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O deputado federal André Janones (Avante-MG) acusou publicamente o colega Nikolas Ferreira (PL-MG) de ter votado por um aumento na conta de luz dos brasileiros, mas registros do Congresso Nacional apontam que foi Janones quem se posicionou a favor da retomada de trechos da Lei das Eólicas Offshore que podem encarecer o custo da energia elétrica.

Durante a votação no Congresso, realizada na última terça-feira (18), os parlamentares derrubaram quatro dos sete vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei das Eólicas Offshore, norma que estabelece diretrizes para exploração de energia eólica no mar. O deputado Nikolas Ferreira votou pela manutenção dos vetos presidenciais — uma posição minoritária dentro do próprio Partido Liberal (PL), mas alinhada à posição do governo de evitar novos custos ao setor elétrico.

Apesar disso, Janones publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que Nikolas havia articulado, junto à oposição, o aumento das tarifas de energia. “É preciso desmascarar esses canalhas que querem prejudicar o povo brasileiro”, disse.

Em resposta, Nikolas também recorreu às redes sociais e alegou que há uma campanha para desgastá-lo. “Claro que eu não votei para aumentar sua conta de luz. Qual a prova disso? Nenhuma. Porque eu fiz exatamente o contrário. Eu fui a favor do veto do Lula”, disse.

Procurado pelo portal UOL, Janones declarou que votou conforme orientação do governo, visando a preservação de outros vetos considerados relevantes. “Votei de acordo com a orientação do governo, a fim de preservar outros vetos importantes para o país”, afirmou.

Entidades do setor elétrico, como a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), alertam que a derrubada dos vetos pode gerar um impacto de até R$ 197 bilhões aos consumidores até 2050. A estimativa indica uma possível alta de 3,5% nas contas de luz. Segundo a FNCE, a decisão do Congresso aprofunda distorções e amplia custos no setor elétrico brasileiro.

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