Política Lula e Helder Barbalho consideram apoiar candidatura de Daniel Santos para 2026 no Pará

Lula e Helder Barbalho consideram apoiar candidatura de Daniel Santos para 2026 no Pará, mas cenário político local parece divergir do noticiado.
Redação O Poder
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Segundo reportagem da CNN Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia apoiar a candidatura do prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB), ao governo do Pará nas eleições de 2026. A articulação, conforme apuração do jornalista Gustavo Uribe, incluiria o apoio do atual governador Helder Barbalho (MDB), que estaria planejando disputar uma vaga no Senado Federal, caso não componha uma chapa nacional com o PT.

A ideia faz parte de uma movimentação mais ampla entre PT e MDB para alianças estratégicas nos estados. No entanto, a realidade política paraense parece destoar do que foi noticiado. Daniel Santos e Helder Barbalho não atuam de forma alinhada e mantêm um relacionamento político marcado por tensões e disputas veladas.

Helder, inclusive, já declarou publicamente que sua pré-candidata ao governo estadual em 2026 é Hanna Ghassan, atual secretária de Educação do estado. Enquanto isso, Daniel Santos tem costurado sua própria estratégia, se aproximando de lideranças da direita e buscando ampliar sua base política fora do campo tradicional da esquerda.

Mesmo filiado ao PSB, Daniel apoiou candidatos do PL nas eleições municipais de 2024 em cidades estratégicas como Belém (Éder Mauro), Santarém (JK do Povão) e Tucuruí, onde sua equipe atua diretamente na campanha de Eliane Lima, candidata do PL à eleição suplementar após a cassação do prefeito Alexandre Siqueira (MDB).

A postura do prefeito de Ananindeua tem sido marcada por pragmatismo. Apesar de manter em sua gestão nomes filiados ao PCdoB e ao PT, Daniel também intensificou nos últimos meses o diálogo com líderes da direita no estado, como o prefeito de Marabá, Toni Cunha (PL). O movimento reforça uma estratégia que busca viabilizar sua candidatura ao Palácio dos Despachos com apoio transversal, mirando o eleitorado mais conservador.

No plano nacional, Lula tem incentivado o fortalecimento do PSB como alternativa de centro-esquerda em estados com resistência ao PT, com foco em ampliar sua influência no Senado. A sigla é comandada nacionalmente pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. A estratégia, segundo aliados, seria lançar nomes competitivos do PSB em disputas majoritárias para conter o avanço da direita, que tem como principal articulador o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele declarou recentemente que pretende eleger metade da Câmara e do Senado em 2026 para “mudar o destino do Brasil”, mesmo sem concorrer à Presidência.

Diante desse contexto, o nome de Daniel Santos pode até surgir no radar de Brasília, mas seu posicionamento no cenário local segue mais distante de Helder Barbalho e do campo tradicional da esquerda do que a articulação nacional faz parecer.

 

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