A operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, deflagrada nesta sexta-feira (18) e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou reações contundentes de representantes da direita no Amazonas. Políticos e dirigentes do Partido Liberal (PL) no estado classificaram a ação como um ato de perseguição e alertaram para o que chamam de “escalada autoritária” no país.
O deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM) divulgou em suas redes uma nota da liderança da oposição na Câmara dos Deputados. O texto critica o avanço do que considera um regime de exceção e denuncia a concentração de poderes por parte de um único magistrado. “O devido processo legal está sendo atropelado, e a soberania do Legislativo, ignorada”, diz o documento.
No mesmo tom, o deputado estadual Delegado Péricles (PL-AM) declarou que a ação representa “um autoritarismo disfarçado de legalidade”. Ele criticou as medidas impostas a Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica, censura nas redes sociais e restrições de liberdade. “É mais um capítulo vergonhoso da perseguição política no Brasil”, afirmou.
O vereador de Manaus Coronel Rosses também se manifestou contra a decisão do STF. Em publicação, classificou como “perseguição escancarada” as medidas contra Bolsonaro, incluindo a proibição de contato com o filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro. “As decisões são criminosas e absurdas. Isso precisa acabar”, disse.
Em nota oficial, o diretório estadual do PL no Amazonas repudiou a operação, afirmando que a decisão do STF é desproporcional, principalmente porque Bolsonaro, segundo o partido, sempre colaborou com as investigações.
O presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, reforçou o apoio ao ex-presidente. “Nosso capitão nunca fugiu da luta. Mais do que nunca, mostramos que ele não está sozinho. Cadê a justiça que condena previamente? Que país é esse?”, questionou.
A pré-candidata ao governo do Amazonas pelo PL, Maria do Carmo Seffair, também se posicionou. Para ela, é momento de união contra o que chama de nova ditadura. “Nossa voz será a voz de todos os brasileiros de bem”, declarou.
Já o ex-superintendente da Suframa e aliado de Bolsonaro, Coronel Menezes, classificou o dia como “triste” e afirmou sentir a mesma indignação que milhões de brasileiros diante da operação.
As manifestações demonstram o alinhamento de líderes políticos do Amazonas com Bolsonaro, mesmo diante do avanço das investigações sobre a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022 e os ataques ao Estado democrático de direito.