O recente otimismo dos investidores estrangeiros com a bolsa brasileira sofreu uma brusca reversão neste mês de julho. Em apenas seis pregões consecutivos, a B3 registrou a saída de R$ 4,8 bilhões em recursos externos, segundo dados oficiais.
O movimento de retirada teve início em 8 de julho, exatamente um dia antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras. O gesto do governo americano repercutiu imediatamente entre os agentes financeiros internacionais.
Os saques revertiram completamente o saldo positivo de julho, que agora acumula retirada líquida de R$ 3,5 bilhões até o momento.
Contraste com desempenho recorde em maio
O resultado negativo contrasta com o desempenho de maio de 2025, quando os investidores estrangeiros aportaram R$ 10,5 bilhões na bolsa brasileira, configurando o melhor resultado mensal desde dezembro de 2019.
A virada de humor reflete incertezas geopolíticas e comerciais, especialmente após o gesto de Washington contra o Brasil. A decisião unilateral de Trump reacendeu temores sobre instabilidade comercial e tensões diplomáticas, o que contribuiu para a maior aversão ao risco.
Impactos devem continuar no curto prazo
A tendência de retirada de capitais pode se manter caso o clima de confronto entre os dois países se intensifique. A tarifa anunciada por Trump atinge uma ampla gama de produtos brasileiros e foi comunicada em carta ao presidente Lula, como parte de sua retórica política contra o governo.
Esse novo contexto pressiona não apenas o mercado de ações, mas também o câmbio e os juros futuros, afetando diretamente a atratividade de ativos brasileiros no curto prazo.