O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um trecho do Projeto de Lei 2.159/2021, sancionado na última sexta-feira (8), segue provocando debates intensos no Amazonas e na região Norte. A medida barrada impedia a dispensa do licenciamento ambiental para obras de manutenção e pavimentação em rodovias existentes, como a BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho e é considerada estratégica para a integração da Amazônia.
A emenda vetada, proposta pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), visava acelerar as obras da rodovia ao dispensar essa etapa ambiental, mas o veto mantém a exigência das licenças, o que pode atrasar indefinidamente os trabalhos, principalmente no chamado “trecho do meio”. O PL sofreu 63 vetos, sendo apelidado por críticos de “PL da Devastação”.
Apesar da relevância do tema para a economia regional, os principais parlamentares do Amazonas ainda não emitiram posições claras sobre a decisão presidencial. Eduardo Braga, autor da emenda, segue em silêncio, sem declarações públicas ou postagens sobre o veto. Analistas afirmam que um posicionamento mais contundente dele poderia mobilizar a bancada local contra o governo federal.
Outro defensor histórico da BR-319, o senador Omar Aziz (PSD-AM), que já criticou a ministra Marina Silva e cobrou Lula para a conclusão das obras, também não se manifestou oficialmente sobre o veto até o momento. Seu silêncio, segundo observadores, pode estar ligado ao alinhamento estratégico do PSD com o governo.
O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT-AM), pré-candidato a prefeito de Manaus e aliado do presidente, mantém uma postura ponderada sobre a rodovia, reconhecendo a necessidade de obras, mas sem comentar especificamente o veto. Ramos ainda não divulgou nenhuma manifestação pública a respeito.
Com o veto, cresce a pressão sobre os políticos amazonenses para que tomem uma posição diante da insatisfação popular, que vê na pavimentação da BR-319 um passo fundamental para o desenvolvimento econômico e social da região.