Vice-prefeita de Ribeira (SP) é acusada de usar verba pública para pagar “amarração amorosa”

Vice-prefeita é acusada de usar dinheiro público para contratar serviço de 'amarração amorosa' contra servidor da prefeitura.
Redação O Poder
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A vice-prefeita de Ribeira (SP), Juliana Maria Teixeira da Costa (MDB), está no centro de uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sob suspeita de ter usado dinheiro público para custear um trabalho de “amarração amorosa” contra um servidor da prefeitura. A denúncia partiu da mentora espiritual Samantha, que afirma ter ficado no prejuízo após realizar o ritual.

Segundo Samantha, o serviço foi contratado para unir espiritualmente Juliana a um funcionário público da cidade. Ela relata que gastou R$ 380 mil com materiais trazidos da África e benzidos pela mãe Jurema, de Salvador, mas não recebeu o valor combinado. “Estou com um rombo de 380 mil reais. Fiz o trabalho e fui enganada”, disse em vídeos divulgados nas redes sociais.

A líder religiosa afirma que tenta reaver o dinheiro desde o ano passado e que três advogados da vice-prefeita chegaram a propor pagamentos parciais para evitar que a origem dos recursos fosse revelada. Em áudios exibidos por Samantha, um homem atribuído a um dos advogados menciona a divisão do montante em depósitos até atingir R$ 350 mil, sendo R$ 50 mil de responsabilidade dele próprio.

Ainda segundo a mãe de santo, parte do valor foi paga, e o restante teria previsão de quitação no dia 11 de agosto. Por causa do atraso, ela chegou a procurar o prefeito de Ribeira, Ari do Carmo Santos (DEM), mas não obteve retorno. “Eu vou até o fim. Vocês vão pagar um por um”, declarou.

O alvo do ritual seria Lauro Olegário da Silva Filho, técnico em enfermagem da Secretaria de Saúde e, de acordo com a denúncia, favorecido por Juliana com escalas e gratificações indevidas. Ele é casado e ex-funcionário da empresa W. F. Da Silva Treinamentos Ltda., que teria intermediado parte do pagamento do trabalho espiritual, repassando R$ 41,2 mil à mãe de santo após receber o mesmo valor da prefeitura.

O caso veio à tona depois que o vereador Dirceu Benedito (PP) encontrou dois comprovantes de depósito publicados no perfil de Samantha no Instagram — um no nome da vice-prefeita, de R$ 6 mil, e outro em nome da empresa, de R$ 41,2 mil. Na última segunda-feira (4), Juliana e Lauro foram afastados de suas funções por decisão judicial, sob suspeita de improbidade administrativa e desvio de recursos.

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