Na sessão desta terça-feira (12), deputados estaduais do Amazonas reagiram com indignação à decisão do Avante de abrir processo de expulsão contra o deputado Wanderley Monteiro, acusado de quebra de fidelidade partidária por ter assinado o requerimento de criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigará a aplicação de R$ 187 milhões em recursos estaduais transferidos para a Prefeitura de Manaus realizar obras de asfaltamento.
A medida, aprovada de forma unânime pelas executivas estadual e municipal do Avante nesta segunda-feira (11), foi divulgada nas redes sociais da sigla, com base no estatuto partidário e na legislação eleitoral. Segundo o partido, o objetivo é “garantir a preservação da coerência política e o compromisso com a base eleitoral”.
Durante a sessão da Aleam, parlamentares de diferentes partidos classificaram a ação como “falta de respeito”, “violência política”, “ataque” e “retaliação”. O autor do requerimento da CPI, deputado Péricles do Nascimento (PL), defendeu que Wanderley agiu de acordo com suas convicções e disse que não cabe perda de mandato por esse motivo.
“Eu repudio essa tentativa de calar um parlamentar estadual ameaçando com expulsão e perda do mandato. Isso jamais deveria acontecer. Esta Casa precisa ser respeitada”, afirmou Péricles, lembrando que a jurisprudência do STF e do STJ impede cassação por atos de independência legislativa.
O presidente da Aleam, Roberto Cidade (União Brasil), também criticou duramente o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), atribuindo a ele a articulação da expulsão. “É impressionante passar recibo por uma situação tão pequena, reunindo toda a cúpula do Avante para expulsar um deputado que apenas assinou uma CPI”, disse.
Outros parlamentares aproveitaram para oferecer abrigo partidário a Wanderley. Rozenha (PMB) condenou o que chamou de “pensamento retrógrado” e declarou que seu partido está de portas abertas. “Pedir o afastamento, cassação ou expulsão de um deputado é medida exagerada, que não é democrática e não condiz com a postura de um prefeito ou de um ex-presidente desta Casa”, afirmou.
João Luiz (Republicanos) seguiu a mesma linha e disse que “retaliações como essas” não contribuem para a política, deixando as portas do seu partido abertas para Wanderley.
O deputado, por sua vez, fez um pronunciamento breve, agradeceu o apoio dos colegas e disse estar “firme e forte” com sua decisão. “Minha consciência está limpa, meu coração está limpo. Deus vai mostrar, em 2026, a maior resposta”, afirmou. A CPI do Asfalto ainda depende de mais quatro assinaturas para ser instaurada.