A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga um esquema de fraudes no INSS aprovou, por unanimidade, nesta segunda-feira (1º), o pedido de prisão preventiva de 21 suspeitos acusados de envolvimento no desvio de cerca de R$ 6,3 bilhões de recursos destinados a aposentados e pensionistas. A solicitação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá analisar o caso por meio do ministro André Mendonça.
Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da comissão, as prisões são fundamentais para impedir que os acusados fujam ou destruam provas. “É preciso garantir que o dinheiro desviado retorne aos cofres públicos. Esses indivíduos representam risco à integridade do processo”, afirmou.
Entre os alvos da CPMI estão ex-diretores do INSS e pessoas ligadas a escritórios de advocacia, sindicatos e empresas que teriam atuado de forma coordenada para fraudar descontos em benefícios previdenciários. Um dos principais nomes da lista é o de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como peça central no esquema, segundo investigações da Polícia Federal.
Sindicato ligado a irmão de Lula também está na mira
As investigações também incluem possíveis conexões com servidores do próprio INSS e com o Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi), vinculado a José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de seu nome ter sido citado em documentos da CPMI, ainda não há requerimentos votados para convocá-lo ou investigá-lo formalmente.
A CPMI, criada recentemente, segue aprofundando os trabalhos e deve ouvir, nas próximas sessões, gestores do Ministério da Previdência Social e outras figuras relacionadas ao caso. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), reforçou que novas oitivas e diligências estão previstas.
A próxima reunião está marcada para esta quinta-feira (4), quando será ouvida Eliane Viegas Mota, diretora de Auditoria de Previdência da Controladoria-Geral da União (CGU).
Veja quem são os 21 nomes com pedido de prisão preventiva
A seguir, a lista completa dos nomes incluídos na solicitação encaminhada ao STF:
- André Paulo Fidelis – ex-diretor de Benefícios do INSS, acusado de receber propinas via escritório do filho.
- Eric Douglas Fidelis – advogado, filho de André Fidelis, teria operado parte dos recursos.
- Cecília Rodrigues Mota – advogada suspeita de intermediar pagamentos ilícitos a servidores.
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho – ex-procurador do INSS, teria atuado para manter descontos irregulares.
- Thaisa Hoffmann Jonasson – companheira de Virgílio Filho, suspeita de se beneficiar do esquema.
- Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira – teria recebido vantagens indevidas.
- Alexandre Guimarães – ex-diretor de governança do INSS, suspeito de ligação com entidades fraudulentas.
- Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”) – considerado um dos líderes do esquema.
- Rubens Oliveira Costa – apontado como colaborador de Antônio Carlos.
- Romeu Carvalho Antunes – filho de Antônio Carlos, também investigado por participação ativa.
- Domingos Sávio de Castro – associado ao grupo comandado por Antônio Carlos.
- Milton Salvador de Almeida Junior – empresário ligado ao núcleo financeiro do esquema.
- Adelino Rodrigues Junior – teria feito pagamentos ilícitos à esposa do ex-procurador Virgílio Filho.
- Alessandro Antônio Stefanutto – ex-presidente do INSS, demitido após o avanço das investigações.
- Geovani Batista Spiecker – ex-diretor substituto de Benefícios, com suposta participação nos desvios.
- Reinaldo Carlos Barroso de Almeida – servidor suspeito de favorecer entidades com descontos irregulares.
- Vanderlei Barbosa dos Santos – ex-diretor de Benefícios do INSS, também implicado.
- Jucimar Fonseca da Silva – coordenador-geral de pagamentos de benefícios.
- Philipe Roters Coutinho – agente da Polícia Federal, envolvido segundo a investigação.
- Maurício Camisotti – empresário acusado de atuar como intermediário financeiro.
- Márcio Alaor de Araújo – dirigente de instituição financeira que teria recebido pagamentos de entidades suspeitas.