Ministro do TCU defende fiscalização na Amazônia para combater contrabando de riquezas minerais

Ministro do TCU defende maior fiscalização na Amazônia para combater contrabando de riquezas minerais e propõe investir na bioeconomia da região.
Redação O Poder
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Em entrevista exclusiva ao Grupo Norte de Comunicação (GNC), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, destacou a importância da implementação de uma cultura de governança no setor público. Nardes ainda defendeu maior planejamento para uso de recursos públicos e fez alertas sobre a situação fiscal e previdenciária do Brasil, também falando sobre cuidados que a Amazônia merece.

“O Brasil não falava de governança antes”

Nardes relembrou que o TCU começou a trabalhar o conceito de governança no país há pouco mais de dez anos.

“Eu cheguei a essa conclusão quando presidi o tribunal, em 2012 e 2013. O Brasil não falava de governança antes. É um tema novo”, disse.

Segundo ele, governança vai além de gestão.

“Gestão é planejar, executar e controlar. Governança é mais que isso: é direcionar, avaliar e monitorar. E o país não direciona de forma correta, não temos projeto de Estado para a nação brasileira.”

Papel do TCU e o impeachment de Dilma

O ministro lembrou que a missão do TCU é “não deixar o país quebrar” e citou sua atuação no processo que resultou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

“Eu alertei a presidente em 2013 e 2014 que, se não melhorasse a governança, o Brasil quebraria. E quebramos. Perdemos 8% do PIB. A decisão pelo impeachment foi unânime no tribunal. Não foi golpe”, reforçou.

Investimentos na Amazônia e bioeconomia

Nardes destacou sua atuação na criação de auditorias para preservar o meio ambiente e desenvolver indicadores de sustentabilidade para a Amazônia.

“Criamos o Indimapa, o primeiro mapa comparativo da região amazônica, para avaliar o desenvolvimento sustentável. Nossa proposta é aproveitar as hidrovias e investir na bioeconomia, preservando a floresta.”

Ele defendeu o uso racional das riquezas da região:

“É inaceitável que 50% das nossas riquezas minerais saiam ilegalmente do país por contrabando. Falta estrutura para fiscalizar ouro, diamante e nióbio.”

Falta de governança em desastres e fronteiras

Sobre o trabalho da Defesa Civil, o ministro criticou a ausência de planejamento prévio.

“Fizemos duas auditorias sobre a estrutura de defesa do Brasil. É muito incipiente e as pessoas morrem porque não há políticas preventivas. Quem salvou os gaúchos na enchente foram os voluntários.”

Ele defendeu reforço na segurança de fronteiras para conter contrabando e tráfico de drogas:

“O Brasil está numa posição de médio para baixo em governança de fronteira. Falta estrutura e priorização para preservar nossas riquezas e combater o crime.”

Previdência e dependência do Estado

Para Nardes, a informalidade e o alto número de beneficiários de programas sociais colocam a Previdência em risco.

“Hoje temos 58 milhões de pessoas que contribuem e quase 60 milhões que recebem Bolsa Família. Eu sou favorável ao programa, mas tem que ter contrapartida. Não podemos manter pessoas dependentes do Estado por 20 anos”, disse.

O ministro alertou que, no ritmo atual, a Previdência se tornará insustentável:

“Se você espera se aposentar pelo INSS com valores substanciais, não espere. Faça sua própria aposentadoria.”

“TCU é independente e cuida das contas da República”

Ao final, Nardes destacou o papel do tribunal:

“O TCU é um órgão independente. Nosso papel é fiscalizar os recursos da União e orientar gestores para que façam projetos de Estado, não apenas de governo. Escrevi três livros sobre governança justamente para mostrar esses caminhos.”

Ele defendeu que o país precisa de diálogo e planejamento para decisões estratégicas:

“Política se faz com bom centro de governo. Governança é direcionar, avaliar e monitorar. Sem isso, seguimos cometendo erros.”

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