Na ONU, Trump elogia Lula e anuncia reunião na próxima semana

Encontro entre Lula e Trump na ONU gera expectativas, mas não altera tensões comerciais.
Redação O Poder
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Durante discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pouco antes de subir à tribuna. Segundo o republicano, os dois se abraçaram e concordaram em marcar uma reunião para a semana seguinte.

“Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu e nos abraçamos. Combinamos que vamos nos encontrar na próxima semana. Não tivemos muito tempo para conversar, uns 20 segundos, mas tivemos uma boa conversa. Ele parecia um homem muito legal. Tivemos ao menos 39 segundos de uma química excelente. É um bom sinal”, declarou Trump, arrancando risos no plenário da ONU.

O governo brasileiro confirmou ao portal g1 que houve um encontro breve entre os presidentes, mas sem registro de agenda formal. Segundo fontes diplomáticas, o gesto foi cordial e sinalizou disposição para diálogo, mas ainda não há reunião oficial marcada entre Lula e Trump.

Divergências nos discursos

A fala do americano ocorreu logo após o pronunciamento de Lula, que havia feito críticas indiretas aos Estados Unidos e à postura de governos conservadores. O petista defendeu a soberania brasileira, condenou sanções unilaterais e afirmou que “não há pacificação com impunidade”, em referência à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Trump, por sua vez, criticou a ONU, classificou a crise climática como “golpe” e anunciou tarifas de 50% sobre importações brasileiras. Ele relacionou a medida a supostas restrições à liberdade de expressão e a processos judiciais contra aliados de Bolsonaro.

Repercussões políticas

De acordo com diplomatas ouvidos pelo g1, o encontro entre Lula e Trump foi visto como um gesto simbólico, mas não altera o cenário de tensões comerciais. Assessores próximos ao presidente brasileiro, como o ex-chanceler Celso Amorim e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, alertaram Lula durante o discurso de Trump de que ele estava sendo citado no plenário.

Enquanto isso, aliados de Bolsonaro, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), interpretaram a fala de Trump como parte de uma estratégia de pressão para que o Brasil ceda em pautas internas e regulatórias.

Contexto da Assembleia

O Brasil, que tradicionalmente abre os debates da ONU, foi o primeiro país a discursar na abertura da assembleia. O evento, que reúne representantes de 193 nações, ocorre entre os dias 22 e 24 de setembro, com temas como democracia, cooperação internacional, clima e segurança global.

Carregar Comentários